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domingo, 29 de janeiro de 2017

Colaboradores do Planeta: Leitura Recomendada: Lendas do Universo DC – Lanterna Verde e Arqueiro Verde Parte II

Nosso colaborador Giulianno de Lima Liberalli finaliza seus trabalhos na década de 70 ao lado de dois grandes justiceiros - Lanterna Verde e Arqueiro Verde, uma fase que definiu uma amizade que durou décadas.




A Panini lançou quase simultaneamente as partes 2 e 3 de Lendas do Universo DC – Lanterna Verde e Arqueiro Verde me deixando com um belo dilema nas mãos que era falar sobre o volume 2 separado ou junto do volume 3, porém como uma clássica história tem início no segundo volume e conclusão no terceiro, optei por resenhar as duas publicações juntas. Melhor poder falar da relevância dessa fase de uma tacada só, sem ter que deixar um gancho para continuar em um próximo texto e o assunto não esfria.

O segundo volume se inicia com a sequência dos eventos no final do primeiro volume aonde vimos o Guardião do Universo designado para acompanhar os heróis na Terra e aprender mais sobre os irracionais e desconhecidos sentimentos humanos, ser levado a julgamento por ter salvado a vida do Lanterna Verde ao invés de impedir um grave desastre ambiental. Só que, devido à rebelião de um técnico que tomou conta do sistema computadorizado do planeta judiciário Gallo, o processo de julgamento se revelou uma farsa desmontada pelos heróis que pediram para acompanhar o Guardião como testemunhas de suas ações.

Depois de resolverem a situação, os heróis são levados a OA e ficam, novamente, diante dos Guardiões que tomam para si a decisão de como punir o irmão que traiu os seus princípios imortais para salvar um amigo. O grupo é enviado para Maltus, planeta natal dos Guardiões, para deixar o Guardião condenado no planeta e lá permanecer pelo resto de sua existência, mas chegando ao planeta se deparam com um mundo consumido pela dor e pela fome causadas pelo excesso de população, Lanterna e Arqueiro precisam descobrir as razões dessa explosão demográfica e restabelecer a ordem. Aqui temos uma previsão sombria do que poderia acontecer com a Terra se a população crescesse além do controle, levando a civilização ao caos.

De volta ao nosso mundo as próximas histórias já são mais típicas dos quadrinhos da época, com a dupla enfrentando supervilões como uma bruxa dimensional e um velho inimigo do Lanterna Verde em uma aventura que envolve até amazonas e seres mitológicos. Em seguida, Canário Negro consegue emprego como professora em uma escola do interior, acompanhada dos heróis ela enfrenta a ameaça de crianças que parecem comandar os adultos com propósitos estranhos, essa história me pareceu uma referência a um clássico filme da década de 60, A Vila dos Amaldiçoados, aonde um evento transforma crianças em seres terríveis, mas a verdadeira ameaça se escondia por trás das crianças, nessa mesma aventura Carol Ferris, amor de Hal Jordan, acaba em uma cadeira de rodas por culpa do mesmo vilão que controla as crianças.

Em seguida, o Lanterna Verde fica em apuros quando descobre que, depois de ajudar uma cidade à beira de um desastre, ela está dominada em segredo por um dos seus arqui-inimigos cujo plano é usar a revolução do plástico na indústria como fachada para um evento de controle mundial, nas entrelinhas está a crítica de Dennis O´Neil ao avanço do plástico como uma alternativa mais barata na industrialização e pela maioria dos materiais que temos em casa hoje em dia, percebemos que ele estava visualizando o futuro, sinistro...

Fechando o segundo volume, temos a clássica “Nas Veias”, a história em duas partes que trouxe para o mundo dos quadrinhos um corajoso retrato do problema das drogas nas ruas, corrompendo e destruindo a juventude da época, problema que infelizmente persiste até hoje em escala mundial. Os autores buscaram usar o título para espalhar um alerta entre os leitores sobre o perigo do vício dos entorpecentes, um dos maiores efeitos provocado foi a reestruturação do Comics Code Authority, a censura nos quadrinhos, para que temas importantes como esse pudessem ser livremente abordados em publicações voltadas para o público juvenil. A trama se inicia com Oliver Queen sendo ferido por bandidos de rua usando uma besta, levado para o hospital ele constata que não foi alvejado por uma flecha qualquer, mas por uma das suas próprias flechas, junto com o Lanterna Verde ele começa uma investigação para descobrir quem estava usando armamento seu nas ruas, o que o leva a enfrentar um traficante de drogas, no desenrolar dos acontecimentos vem a chocante descoberta que seu protegido e parceiro Ricardito acabou se viciando em drogas.

A conclusão abre o terceiro volume com um transtornado Arqueiro Verde questionando os motivos de seu parceiro ter se tornado um viciado e partindo para investigar quem seria o responsável pelo tráfico na região, enquanto Ricardito é auxiliado pelo Lanterna Verde e pela Canário Negro a superar a abstinência pela falta de drogas, os heróis conseguem descobrir quem é o responsável e o levam a justiça, mas não é o suficiente para sanar as feridas deixadas nas suas vidas. Essa saga mostra, em uma época altamente conservadora e censurada, as consequências de uma overdose, alguns dos motivos que levam os jovens a se drogarem e o quanto o caminho de volta é doloroso. O título recebeu prêmios e uma mensagem enviada pelo então prefeito de Nova York John V. Lindsay parabenizando a editora e a equipe pela coragem de abordar um tema tão polêmico.


A história a seguir também é muito marcante na cronologia do Lanterna Verde por mostrar a origem de John Stewart, escolhido como herdeiro do anel depois que Guy Gardner, atual sucessor do Lanterna Verde, é gravemente ferido durante um terremoto fazendo que os Guardiões escolham um novo candidato, vemos o treinamento e a primeira missão de Stewart com o uniforme, vale destacar o choque comportamental entre o certinho Hal Jordan e o descolado e extrovertido John Stewart durante a missão de proteger um político ambicioso conhecido por seu comportamento racista, paralelo a isso vemos a vida do Arqueiro Verde começar a tomar novos rumos separado do seu parceiro esmeralda.

Depois temos uma investigação de sabotagem nas Indústrias Ferris que revela a participação de um ativista ambiental admirado por Oliver Queen, o Lanterna e o Arqueiro descobrem que a empresa da namorada de Hal Jordan está envolvida em atividades ilegais de fabricação e testes de novos aviões, a tarefa é resolvida, mas com graves consequências para o romance de Hal. A curta saga a seguir que encerra o volume mostra o Arqueiro tomando um novo rumo na sua vida depois de um grave acidente durante uma luta contra ladrões, Canário Negro pede a Hal Jordan que parta junto com ela para ajudarem o amigo desaparecido por não conseguir viver mais consigo mesmo depois do erro que cometeu, durante a investigação Canário é gravemente ferida e hospitalizada e o único sangue compatível para transfusão é o de Oliver, Hal inicia uma corrida desesperada para encontrar o amigo antes que Dinah morra.

Mesmo com a qualidade do trabalho das histórias desse volume a revista do Lanterna Verde, que passava por problemas devido as baixas vendas, foi descontinuada no número 89 e as histórias finais foram publicadas na revista do FLASH encerrando a parceria de Dennis O´Neil e Neal Adams nas histórias dos heróis esmeralda mais famosos da DC, porém sua marca no mundo das HQs permanece para sempre.


Por Giulianno de Lima Liberalli

Colaborador do Planeta Marvel/DC