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Planeta Marvel NOW: Thor - God of Thunder #1

[o artigo abaixo contém spoilers]

Roteiro de Jason Aaron
Desenhos de Esad Ribic

O Thor estava numa fase boa com histórias escritas por Matt Fraction, mas não particularmente memoráveis, na minha opinião.

Agora com a Marvel NOW Jason Aaron assumiu o título, e resolveu partir para um caminho que aponta para uma série de histórias das mais inusitadas do personagem.

Começa que toda esta primeira edição é protagonizada por Thor, e somente por ele, interagindo com coadjuvantes desconhecidos. Não há sinal de outros personagens clássicos de suas histórias, como os Três Guerreiros (Volstagg, Hogun e Fandral), Lady Sif, Balder, Odin e Loki. Acompanhamos apenas o herói em três períodos distintos de sua vida.
E este é outro detalhe narrativo que chama a atenção. A trama gira em torno de um assassino serial de deuses (!) que vem exterminando panteões inteiros ao longo de milênios. Começa na juventude de Thor, na época dos vikings, quando nosso herói tem contato com a primeira vítima do tal assassino. Depois passa para o presente, quando o Deus do Trovão vai atender um pedido de ajuda em outro planeta da nossa galáxia, e descobre que aquele mundo não possui deuses. Este seguimento rende uma das melhores e mais impactantes sequências da primeira edição, digna de um conto escrito por H.P.Lovecraft, mestre do terror cósmico. Por fim o último segmento se passa no futuro, onde encontramos o herói já idoso, fisicamente muito parecido com seu pai, Odin, habitando uma Asgard cujo único deus residente é ele próprio.
Nos três segmentos Thor encontra novas pistas sobre o tal serial killer de deuses. A ideia central é jogar o Deus do Trovão numa trama parecida com a vista em filmes como Seven ou Zodíaco, e adaptá-la numa escala à altura de uma divindade. Daí toda a investigação durar milênios, e passar por vários pontos do universo.
Aaron já disse que cada uma das próximas três edições se focará em uma das três versões de Thor apresentadas nesta primeira edição, e que a última do primeiro arco, que será composto de cinco capítulos, será focada no tal assassino de deuses. E não apenas isto, o autor também revelou que explorará outros panteões de deuses espalhados pelo universo, o que levará o leitor, ao lado do herói, para outros mundos. E a julgar pelo trabalho de arte visto neste primeiro número, a viagem promete ser de encher os olhos.
O que diferencia este título dos demais é que ele passa a sensação de que estamos vendo um material originalmente imaginado para uma graphic novel. Há um tom mais maduro e uma narrativa construída com mais apuro, e os desenhos de Esad Ribic (já aclamado por seu trabalho na mini-série Loki, que compartilha semelhanças com este trabalho) reforçam ainda mais esse diferencial. Seu traço aqui lembra muito o de Moebius, e auxiliado pelo excelente trabalho de colorização de Dean White, a impressão de que estamos lendo uma história com tratamento de luxo fica ainda mais forte. Não descarto a possibilidade de que foi justamente este o formato original concebido por Aaron para a história, e que ele apenas procurou adaptá-la para uma série mensal em capítulos de 22 páginas quando foi convidado para escrever o título.
Thor God of Thunder é uma das grandes promessas da temporada, e pode ser o início de uma das melhores e mais memoráveis fases do Deus do Trovão. Apreciei muito os demais trabalhos que o roteirista fez para a Marvel nos últimos anos, e confio em sua capacidade de levar o personagem além dos limites já explorados por outros escritores nas últimas décadas. Até aqui não me decepcionei com ele.


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