Harold – Na terceira história do último encadernado (Número #33 na
numeração original) da série O Questão encontramos Myra Fermim buscando sua
filha Jackie no orfanato onde vive para um fim de semana em família, não sem
antes ter dado um ultimato ao juiz Whelperson, notório corrupto e persona
recorrente da série, ou ele entrega o cargo ou ela mesma o demitirá e jogará
TODOS os seus podres no ventilador. É claro que o juiz tentará tirar algum
coelho da sua cartola corrupta… Ao mesmo tempo somos apresentados a Harold,
filho de uma rica família de Gotham. Seus pais, especialmente sua mãe, o
detestam pois o que deveria ser um Apolo grego é na verdade um adolescente
corcunda,mudo e deveras “desabonitado”. Harold porém tem um impressionante
talento com ferramentas…
Como era de se esperar o juiz
Whelperson aproveita o fim de semana que chega para determinar a soltura de um
dos criminosos mais brutais da cidade. Este terá até a Segunda-Feira, quando
algum juiz mais digno poderá determinar uma nova ordem de prisão, para devolver
o favor ao juiz: matar a prefeita Fermim.
E o Questão fará de tudo ao seu
alcance para que tudo dê errado para os vilões.

Harold traz uma história eletrizante
onde todas as situações se casam. O rapaz que foge de casa por se constantemente
menosprezado pelos pais, mesmo sendo um engenheiro mecânico de primeira, em
direção a Hub City terá importancia vital para de Myra e Jackie Fermim e também
do Questão de uma forma que só Dennis O’Neil e a série do Questão poderiam
conceber. A história é rápida e bastante direta (acho que Howard Mackie deve
ter lido esta história umas 500 vezes na vida) como se acontecesse em um
punhado de horas até. Myra intima o juiz Whelperson, que adora um suborno, a se
demitir ao mesmo tempo em que sai com a filha sem se preocupar com as
consequências do seu ato (situação totalmente crível se nos lembrarmos de todas
as lambanças praticadas pela prefeita no decorrer da série). O juiz manda
soltar um assassino totalmente amoral e determina que sua retribuição é a
cabeça de Myra Fermim numa bandeja. O tenente O’Toole imediatamente passa a
informação para o repórter mais casca-grossa da cidade: Vic Sage (em vez de
mais uma vez reclamar das coincidências vou tomá-las como parte do escopo da
série). Vic se transforma no seu alter-ego e parte para o resgate indo direto
pra casa do juiz e lá encontra o tal bandido que este soltou; um negão com
quase dois metros e umas 200 toneladas de músculos. O cara é um monstro e
detona o Questão (que diferente do Batman não é um sujeito infalível e
irrefreável e por isso mesmo nós o adoramos) e sem querer contar a história em
seus mínimos detalhes o herói do dia é o sujeito mais inesperado de todos os
personagens que até aqui apareceram na série…ele mesmo: Harold que sem dizer
uma palavra ou ser capaz de dar um chute com o pé alto devido ao seu
“concundismo” (essa palavra existe?) salva a todos com sua incrível destreza
com ferramentas. Nosso herói não salva o dia é fato, mas se supera em não se
entregar a um brutamontes que o moeira TODAS as vezes em que se encontrassem. E
heroísmo senhores é isso: continuar lutando mesmo com todas as condições
desfavoráveis contra ti.

Uma salva de palmas aos três
principais envolvidos nesta trama que estão a cada edição mais afinados:
Dennis O’Neil (história), Denys Cowan e Malcolm Jones III (desenhos)
Para quem não lembra ou não sabe
Harold que depois seria de grande importância pro Batman e suas bat-séries como
seu principal mecânico e inventor de bat-bugingangas teve sua primeira aparição
aqui nesta aventura. Harold morreu durante saga Silêncio mas isso é uma
outra história…
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