Diversas histórias sobre o passado e o
futuro de Logan já foram contadas, sejam dentro da
cronologia chamada de oficial, sejam fora dela, como narrativas alternativas
que poderiam ter acontecido, mas que não passam, geralmente, de viagens
criativas dos autores. Quando esses causos ficam bons, mas podem bagunçar a
casa toda, a solução é jogá-los no baú das histórias alternativas. Quem souber
chafurdar direito, vai encontrar algumas pérolas por ali... Dias de um Futuro Esquecido e Wolverine: O Fim são alguns exemplos.
Uma das melhores dá conta da terceira idade de Logan, que já não é mais Wolverine e não mata sequer uma mosca em decorrência de um evento extremamente traumático em sua vida. Em O Velho Logan, os Estados Unidos (com a típica postura centralizadora estadunidense, não é mencionado o que ocorreu com o “resto” do mundo) foram dominados pelos vilões, que tiveram a brilhante ideia de se reunir e se organizar para derrotar os heróis. E foram bem-sucedidos. Cinquenta anos depois, os EUA vivem uma espécie de era pós-apocalíptica, como vemos em filmes do gênero, como Mad Max (1979) e Fuga de Nova York (1981).
Parte do país vive sob o comando de Bruce Banner e família – sim, o cientista acanhado e contido se transformou num velho escroto e maluco que gerou uma prole de sujeitos tão execráveis quanto ele. Outra parte é regida por um novo Rei do Crime. Há também um vasto território sob os auspícios do Dr. Destino. E, por fim, toda a costa leste é comandada a ferro e fogo pelo Caveira Vermelha. Ou seja, as coisas não estão nada boas para quem é “gente de bem”. Nada mesmo!
Para piorar, quase não restaram heróis no mundo, e os pouquíssimos que ficaram vivos ou estão velhos, ou com sequelas, ou viraram a casaca, ou estão aposentados, como é o caso de Logan, que nem sequer aceita mais ser chamado de Wolverine. Agora o velho canadense vive na região rural de Sacramento para tentar buscar um pouco de paz junto à sua mulher e seu casal de filhos. Acontece que os familiares de Banner não o deixam em paz com a cobrança de aluguel, e arrumar dinheiro nessa nova realidade não é das tarefas mais fáceis. Por esta razão, Logan aceita a proposta de Clinton Francis Barton, o antigo Gavião Arqueiro, agora um velho cego com cara de hippie, que oferece uma grana para um serviço. É aí que começa a grande aventura.
Aliás, a aventura é nitidamente direcionada a adultos, com muito, mas muuuuuito sangue, violência extrema, sadismo e referências que só os mais velhos entenderão. E tudo isso fica mais enfático com a belíssima arte de Steve McNiven, que casou perfeitamente com o roteiro bem elaborado de Mark Millar, sempre muito afiado nos diálogos e na imprevisibilidade do enredo.
Indispensável para qualquer fã da Marvel e de histórias de ficção científica pós-apocalípticas.
Wolverine - O Velho Logan (Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel Vol. 58) - 232 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 32,90 - lançado em setembro de 2014 – Editora Salvat do Brasil (coleção prevista para ter 60 volumes).
Por Leonardo Porto Passos
Fonte: HQ Maniacs
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