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Superpowers #12

Superpowers #12
Fevereiro/1989
Editora Abril, formatinho.

“O Preço do Desafio” / “Após a Tempestade”

Argumento: John Ostrander
Desenhos : Joe Brozowski e Ross Andru
Arte-Final: Sam De La Rosa e Roy Richardson

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O Universo DC pós-Crise Nas Infinitas Terras trouxe uma gama de novas e boas histórias. E também trouxe arcos, artistas e roteiristas muito interessantes. Seja Pat Broderick nos apresentando um novo Capitão Átomo, o trio DeMatteis-Maguire-Giffen com a Liga cômica, o Mulher Maravilha de George Perez… Haviam arcos onde o roteiro era o mais importante.

Um destes roteiristas era o grande John Ostrander. Coube a ele e John Byrne o reinício do mundo pós-Crise na mini-série “Lendas”. Logo após, ele fez arcos com Nuclear (alvo desta
resenha) e a melhor passagem de um escritor pelo Esquadrão Suicida. Dono de um texto ágil e moderno Ostrander é um escritor pouco valorizado nestes anos pós-reboot/pós-Marvel Now mas seu talento para criar arcos de suspense e ação é incontestável.
“Superpowers” era o equivalente DC para “Grandes Heróis Marvel”, revistas bimestrais geralmente com arcos fechados e/ou edições históricas. E sua edição 12 trazia Nuclear, o herói atômico criado por Gerry Conway e Al Milgrom em 1978.
Confesso que sou da geração que o chamava de Tempestade por causa dos desenhos dos “Superamigos” e só fui dar conta de que era um personagem bem mais interessante ao ler as histórias da Liga da Justiça na fase George Perez. Para quem não conhece o personagem, Nuclear é um ser criado após um acidente atômico que funde o jovem estudante Ronnie Raymond ao cientista Martin Stein. Nesta junção Ronnie representa a parte física e o professor Stein lhe serve de consciência. Além de superforça e poder de voo, Nuclear tem controle sobre a matéria podendo transformar qualquer substância em outra de acordo com sua vontade.
Ostrander sempre teve uma veia política mais intensa e após o fim de “Lendas” e da perseguição aos heróis, Ronnie e o professor Stein decidiram que iam mudar o mundo. Uma cruzada para destruir todo o arsenal nuclear da Terra se inicia, inclusive com um embate anterior com o Capitão Átomo. Só que durante a jornada descobrem que Stein tem um câncer terminal. Eles procuram o auxílio dos pais de Raymond que, meio relutantes, os dão abrigo. Já com o apoio de Águia Flamejante eles se fundem novamente para uma coletiva em Nova Iorque, onde um ultimante é lançado: ou as nações do mundo destroem suas ogivas ou ele iria atrás delas à força.

É quando surge o Esquadrão Suicida (também escrito por Ostrander) para enfrentá-lo. É uma formação com Rick Flag, Capitão Bumerangue, Nevasca, Pistoleiro, Amarra, Multiplex e o Parasita preso numa jaula de contenção.
Podia piorar? Sim! A Liga da Justiça (fase cômica com Batman, Ajax, Guy Gardner, Canário Negro, Scott Free e Besouro Azul) surge para enfrentar Nuclear e se depara com o Esquadrão (que não existe oficialmente e causa o estranhamento de Batman ao ver Rick Flag ao lado de criminosos).
Sem comunicação com Flag, Tolliver (agente de Belle Reeve, a prisão/sede do Esquadrão Suicida) decide soltar o Parasita que mata Multiplex e derrota, sem muito esforço, metade da Liga e do grupo de Flag. Só é contido quando Nuclear direciona fogo ao seu corpo – a clássica fraqueza de Ajax também assimilada pelo Parasita.

Parasita vencido. Nuclear foge, não sem antes Batman querer persegui-lo. Mas o Besouro Azul impede o Morcego alegando que Nuclear lutou para salvá-los. Mas o exército ainda persegue Ronnie/Stein e tudo culmina numa clássica luta no deserto de Nevada. Novamente Nuclear vence e é apresentado a Pozhar, um cientista soviético que passou por um acidente atômico semelhante ao seu, mas que precisa usar um traje de contenção semelhante ao dos Soviet Supremos.
Pozhar não quer lutar, porém o governo o obriga com a ameaça de prender sua família na Sibéria. Finalmente Nuclear consegue atingir o traje de seu algoz, mas ela libera um alto calor radioativo que poderia matá-lo. Stein sugere que Ronnie faça um tanque de água pesada e isso salva Pozhar. É quando vemos um míssil se aproximando do deserto. Uma ogiva de hidrogênio. O esforço para salvar o soviético desmembrou o velho cientista do jovem estudante e Pozhar decide dar parte de seu poder para reestruturar Nuclear mais uma vez.
Vemos um cogumelo atômico e areia voando para todos os lados. Aos poucos vemos a silhueta do herói. Mas há algo diferente nele. Está sem emoções e agressivo. Após mais algumas investidas do exército ele é avisado que os americanos e soviéticos se propuseram a iniciar
um armistício de forma gradual e reduzir as armas nucleares. E ele some. 
Vemos Pozhar surgindo num facho de luz em sua casa na Rússia. Ele nada fala, mas sabe algo aconteceu… Ronnie também reaparece no apartamento dos pais. Aparentemente o professor Stein morreu na explosão. E um futuro em aberto começa para o herói Nuclear.
Esta edição de Superpowers é um belo fragmento dos quadrinhos da DC Comics nos anos oitenta e um dos melhores momentos do Nuclear no pós-Crise. Tudo graças ao roteiro preciso de John Ostrander. Tempo onde as histórias nos faziam pensar…
Por Andy Nakamura

Fonte: Dínamo

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