É bem verdade que a Legião dos
Super-Heróis surgiu em torno do Superboy. Apesar do grupo, em parte, ter se
inspirado nos atos heroicos do defensor de Smallville, ainda assim ele era
apenas um integrante honorário do grupo (não é sempre que se podia estar no
futuro…).
Mais adiante, a Legião necessitaria
de um personagem que representasse alguém com poderes similares ao de Superboy.
Nesse estilo, muitos seriam os heróis e personagens que surgiriam em suas
histórias. Mas um deles era tão parecido que mais parecia um plágio consentido.
Seu nome era Dev-Em. Apesar de Dev-Em ter uma trajetória complicada, seria
reconhecido como um legionário no futuro. Mas sua estreia nos quadrinhos estava
longe de mostrá-lo como o herói que se tornaria.
Quando Jor-El, pai de Kal-El
(Superboy), previu a explosão do planeta, Dev-Em tratou de usar o conhecimento
roubado para criar uma nave que tiraria tanto ele quanto seus pais no fatídico
dia. Após a explosão de Krypton, o jovem e seus pais, todos em animação
suspensa, vagaram anos e anos pelo espaço, até o dia em que chegaram ao planeta
Terra. Nessa época, a criança Kal-El, que havia chegado antes e foi criada por
pais adotivos terrestres, já havia se tornado Superboy. Dev-Em, também um
kriptoniano, sob o sol amarelo da Terra, também desenvolveu poderes similares
ao garoto de aço e já arquitetava um ataque contra o herói.
Conseguindo capturar o Superboy, fez
uso de uma máquina kriptoniana utilizada para enviar criminosos para a Zona
Fantasma, fazendo com que ele se tornasse uma espécie de fantasma intangível e
incapaz de interagir com o mundo, apesar de poder ver o que o vilão iria fazer.
Dev-Em, com os mesmos poderes, disfarçou-se como Superboy e começou a
vandalizar o planeta Terra, desacreditando o nome do herói. Após causar
destruição suficiente, simplesmente devolve Superboy ao seu estado normal para
que esse enfrente a ira do povo da Terra, que pensa que seu atual herói
enlouqueceu. Com seu sadismo juvenil satisfeito, o delinquente usa seus poderes
e leva a nave com seus pais para o futuro, onde encontraria com a Legião.
Superboy, que acaba tendo que
encarar o desprezo do povo iludido, só consegue se livrar do problema graças a
uma jogada do chefe de polícia local, que acreditou na fantástica história do kriptoniano
delinquente que se passou por ele.
Outro personagem que utilizou
Superboy como arquétipo, e que também integraria a Legião dos Super-Heróis no
futuro, ficou conhecido como Mon-El. Criado por Robert Bernstein e George Papp,
também em 1961, é apresentado como sendo o irmão mais velho do Superboy, tendo
os mesmo poderes que este e o uniforme na cor inversa. Ou seja, enquanto o
Superboy tinha (e “terá” como Super-Homem) um uniforme predominantemente azul
com a capa vermelha, Mon-El tinha o uniforme vermelho com a capa azul.
O nome do personagem, como podem
perceber, também tem forte ligação com o garoto de aço. Mon-El entra na vida
dos Kent em uma segunda-feira (monday, em inglês). Utilizando a primeira sílaba
desse dia com a terminação “-El” (do nome kriptoniano de Superboy, Kal-El)
temos Mon-El.
Superboy intercepta uma nave que cai
na Terra e descobre um estranho passageiro dentro dela. Mais que isso encontra
uma espécie de carta de seu pai biológico, Jor-El, junto ao tripulante,
explicando que este é seu filho… também! Ou seja, trata-se de um irmão de
Kal-El. O irmão mais velho ao que tudo indica. Desmemoriado, o jovem é levado
para a casa dos Kent (pais adotivos do Superboy), adotado e recebe o nome de
Mon-El. E, assim como seu irmão caçula, adota uma identidade secreta (Bob Cobb)
para guardar seu segredo.
Mas Superboy começa a desconfiar de
seu “irmão” quando Krypto, o supercão, o estranha e descobre que ele é imune a
kriptonita. Porém, ao tentar evitar um assalto a banco, feito por criminosos
que lançaram enormes bolas de chumbo contra o prédio, Mon-El deixa-os escapar
alegando que está enfraquecido. Essa atitude levanta mais suspeitas do
Superboy, que agora imagina que se trata de um vilão disfarçado.
Como última cartada para desmascarar
o impostor, Superboy pinta as bolas de chumbo restantes de verde, simulando
meteoritos de kriptonita. Causando uma chuva desses meteoritos, o herói alerta
Mon-El para o perigo que o metal representa para a saúde dos kryptonianos.
Mon-El parece cair no truque e diz estar mortalmente enfraquecido. Superboy
revela que não se trata de kriptonita, mas sim de bolas de chumbo pintadas,
provando que Mon-El está fingindo… ou será que não?
Quase desfalecido, o colapso de
Mon-El parece ter-lhe trazido a memória e ele conta a verdade para o Superboy.
Ele não é de Krypton, mas de um planeta chamado Daxam, onde os habitantes
também desenvolvem superpoderes na Terra. A única fraqueza desses poderes… é o
chumbo! A carta de Jor-El falava sobre um filho, mas este filho era o próprio Superboy,
e Mon-El a recebeu quando pousou por acaso em Krypton.
Mesmo desfeito o mal-entendido,
Mon-El parece estar à beira da morte e o Superboy é obrigado a lançá-lo para a
Zona Fantasma, uma dimensão neutra para onde os criminosos kryptonianos eram
lançados, afim de que ele se recupere do envenenamento por chumbo. O herói
promete libertá-lo no futuro… e bem sabemos quem se encontra no futuro.
Por Marcos Dark
Fonte: Dínamo
0 Comentários