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Questão: A fase DC Comics - Parte 1


Nos anos 80 a DC Comics comprou a linha de heróis da Charlton Comics entre os quais faziam parte: Questão, Besouro Azul, Capitão Átomo, Pacificador, Thunderbolt e Sombra da Noite (estes foram os heróis que serviram de molde para Alan Moore criar seus Watchmen). O caso agora era a introdução deles ao universo da editora. Alan Moore foi incubido da tarefa, escreveria uma mini série que serviria para isso, mas aí veio a decisão de recomeçar toda a linha da editora com Crise nas Infinitas Terras e esse projeto foi deixado de lado.



O projeto da mini foi realmente deixado de lado (em partes, pois Alan Moore adaptou o que já havia criado e assim fez a maior saga de heróis de todos os tempos: Watchmen) mas a introdução dos personagens da Charlton continuou, Depois de Crise, vários personagens da Action Heroes Line tiveram suas chances: Capitão Átomo, Besouro Azul, Thunderbolt e Questão tiveram gibis próprios. Pacificador teve uma mini série e Sombra da Noite entrou no Esquadrão Suicida.

Dennis O’Neil foi convocado para reintroduzir o Questão. Veterano autor de brilhantes fases de personagens urbanos (entre os quais Batman, com Neal Adams) e o moldou aos anos 80. O trabalho dele começou de forma explosiva!

Se hoje matar heróis virou cliché, na época ainda causava estranheza. E foi isso o que ocorreu no número um do gibi do Questão, ele é morto pelas mãos de Lady Shiva (no universo DC ela era uma das maiores lutadoras corpo a corpo do mundo, fazendo frente até ao Batman). E qual o motivo de tremendo choque? Ora, era preciso mudar o personagem. Retirar suia aura objetivista que o deixava totalmente monocromático e paralisava seu discurso com o público.

Sendo assim Dennis O’Neil o matou e o fez renascer. E nesse renascimento o fez se redescobrir como pessoa numa viagem de auto conhecimento com o mestre Zen Richard (conhecido de Shiva a quem pediu este favor). Sim, você não entendeu errado, a mesma assassina de Vic Sage foi também quem o salvou, ressuscitando e entregando há um rigoroso treinamento de corpo e principalmente mente. Desta forma o Questão passou a adotar uma nova linha de pensamento e comportamento, passou a questionar/dialogar de forma mais intimista com o leitor e ter um comportamento mais humano nas histórias.

Essa mudança de base filosófica conseguiu dar novo gás ao personagem que segurou por 36 edições sua revista, fato hoje cada vez mais raro dentro da DC Comics.

Por Carlos Lenilton

Fonte: Santuário

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