A saga que abalou completamente os alicerces das duas maiores franquias
da Marvel finalmente começou no Brasil. De um lado, os mais poderosos heróis da
Terra, sucesso completo dos cinemas. Do outro, temos os temidos mutantes,
amados por seus fiéis leitores desde os anos 80. Com a edição 0 de Vingadores e X-Men chegando em bancas, finalmente
podemos ter um desenho daquele que vai ser o maior confronto de heróis da Terra.
Com 132 páginas, a edição 0 de Vingadores vs X-men traz
na verdade uma compêndio de histórias interligadas a saga. Sendo que a
primeira, maior e mais importante delas, é a X-Saction, minissérie lançada em
quatro partes lá fora e que traz de volta um personagem altamente vinculado a
história da Esperança. Seu nome é Nathan Dayspring Askanison Summers, mas você
deve conhecê-lo pela alcunha de Cable.
Sumido desde os eventos finais de Segundo Advento, Cable foi
dado como morto, apenas restando seu braço contaminado pelo tecnovírus nesta
nossa linha temporal. Todavia, como já era previsto, é difícil matar esse
Soldado do Futuro e Cable acabou indo parar anos a frente, numa Terra destruída
pelo que parecia um grande inverno nuclear. Ao prosseguir em busca de
respostas, ele se depara com Blaquesmith, antigo parceiro de suas histórias, também membro do clã Askani. Há poucas informações sobre o que levou aquele futuro, mas
o que Blasquesmith pode adiantar é que tudo ali girou em torno do fato de que
Esperança não conseguiu completar sua missão e os responsáveis por isso foram
os Vingadores. E isso foi o suficiente para que Cable encabeçasse sua nova
missão. Voltar ao passado e deter os Mais Poderosos Heróis da Terra.
E assim começa a história, com roteiro de Jeph Loeb e
desenhos de Ed McGuiness, temos praticamente em cada edição o nosso viajante do tempo
determinado em derrotar cada membro em particular dos Vingadores. Na primeira parte, após armar uma emboscada, Cable derrota o
Falcão e o Capitão America. Em seguida, é a vez do Homem de Ferro. Graças a um modelo de armadura do pro Tony Stark que ele
trouxe do futuro, Cable conseguiu sobrepujá-lo. O próximo da lista foi o Hulk
Vermelho, criação do Loeb e
adversário da terceira edição. E com a ajuda de Blaquesmith, que resolveu
também seguí-lo, Cable consegue deter o Vermelhão, contaminando-o com o
Tecnovírus. E a última edição da minissérie o destaque fica pra Wolverine
e Homem-Aranha.
Neste ínterim, somos apresentados a vários flashback (ou seriam alguns
flashfowards), com é pequenas histórias de Cable e Esperança quando ela era uma mera garotinha e de como o
Nathan se preparou para lidar com os Vingadores, conseguindo boa parte da
tecnologia necessária na arruinada Mansão dos Vingadores no futuro. Por sinal,
ciente de que Cable estava fora de controle e com risco de vida já que o seu
tecnovírus passou a avançar sobre ele indiscriminadamente, Blaquesmith vai
buscar ajuda. E ele traz consigo Ciclope e Esperança na intenção de que o velho
soldado pare aquele ataque insano.
Cable acaba ficando ainda mais descontrolado, visto que ali Esperança
estava em risco.
Ciclope e Esperança decidem soltar os demais Vingadores e
tentar assim conter Nathan antes que ele se mate de vez. E no meio da briga,
com o corpo já exaurido e tomado completamente pelo tecnovirus, ele tomba em
coma.
Depois de muita pancadaria, os momentos finais da história nos levam a
alguns momentos decisivos e interessantes. Orientada por Blaquesmith, Esperança
consegue curar o vírus tecnorganico de Cable. E no processo, mais uma vez ela
se revela de alguma maneira vinculada a Força Fênix. Ciclope, olhando tudo pelo vidro da enfermaria, fica atônito.
E numa última página, temos um dialogo no plano astral entre Ciclope e Cable.
Cable revela que a profecia em torno da Esperança fala que ela é a nova
portadora da Fênix. Antecipa a Guerra com os Vingadores e compromete Ciclope
para tomar as decisões certas, não importa quais sejam, de proteger sua filha.
Loeb e McGuiness também são responsáveis por uma outra história, desta
vez mais curta, em que é focada num novo membro da tropa Nova. No planeta Birj,
dominado pelo ex-arauto de Galactus, Terrax, o rapaz tenta
convencê-lo a salvar os habitantes daquele lugar antes que a Força Fenix
chegue. Terrax não dá ouvidos, prefere confrontar a entidade cósmica sozinho e
acaba inevitávelmente morto. Então, como esperado, o Birj é consumido pelas
chamas da destruição. Todavia, após a dizimação, a vida parece florescer de
novo. E o jovem Nova, segue mais uma vez em seu trajeto para avisar aos mundos
sobre a vinda da Fênix. Essa história foi parte de uma das muitas que
compuseram o especial POINT ONE, lançado em 2012 nos EUA.
Por fim, a última parte desta “prólogo”, traz as duas histórias que
compuseram a edição 0 original americana. Na primeira delas, temos a volta da Feiticeira Escarlate, responsável pela Dizimação mutante e
Queda dos Vingadores. Após confronto com MODOC nas ruas de Nova York, Wanda é
convidada por Carol Danvers, a Miss Marvel, e Jessica Drew, a Mulher Aranha,
para voltar ao grupo dos Vingadores. Receosa, a moça decide ainda assim
acompanhá-las, mas acaba tendo uma desagradável surpresa. Seu ex-marido, o Visão, também acabara de ser reconstruído por Tony Stark, e tomado
por uma amargura ao vê-la, toma a frente de todos e a expulsa da mansão. De
costas para os demais, apenas os leitores veem suas lágrimas, referência clara
a antiga história de “Até um androide pode chorar”. Contada em 15 páginas, essa
história é assinada por Brian Michael Bendis e Frank Cho.
Na segunda história, o foco se volta pra Esperança, a Messias premeditada para reverter todo problema causado
pelo Dia M. A menina vem agindo ultimamente de forma cada vez mais errática,
saindo as escondidas a noite para combater sozinha o crime de São Francisco.
Numa dessas, acaba sendo surpreendida por Ciclope, que tenta detê-la. Esperança tenta negociar que ficará se
lhe for explicado o que é a “Fênix”. Sem estar preparado para essa, Ciclope
fica calado e Esperança o alveja com raios opticos, fugindo para o continente
afim de extravasar sua raiva. Seu alvo desta vez é a Sociedade da Serpente. E
mesmo estando em cinco, número mais favorável, o grupo de vilões não foi páreo
para uma garotinha com o treinamento militar dado por Cable. Ciclope e Emma
Frost chegam tarde demais, quando o grupo estava sobrepujado e esperança com
sangue nas mãos. Esperança, mais calma agora, fala que sabe porque Ciclope está
com medo, receoso de falhar e perder Esperança para a Força Fênix assim como
foi com Jean Grey no passado. Todavia, a garota parece determinada em dizer que
está preparada. Emma e Ciclope apenas a observam, cientes de que se ela vier
para salvar a todos ou matar a todos, é alguém que deve ter atenção especial.
Desta vez, a história ficou por conta de Jason Aaron e, mais uma vez, Frank Cho.
Com isso, temos o conjunto de histórias definitivo para preparar o
leitor para a saga. Jeph Loeb mostrou bastante sensibilidade em tratar a
relação de Cable e Esperança em sua X-Saction , com momentos muito tocantes entre
pai e filha, algo que certamente ele tem já pessoalmente uma carga emocional
bem grande para despojar desde a perda de seu filho. O que incomoda talvez,
seja aquela velha narrativa esticada e sem profundidade dos combates que me
incomode. Levou quatro edições, e os momentos mais importantes aqui, se
resumiram a poucas páginas, como foi o caso do dialogo final entre Scott e
Nathan. Em contra partida, Loeb conseguiu se sair bem melhor na história do
Nova, com poucas páginas e uma narrativa bem mais dinâmica. Isso parece ser um
bom sinal para o futuro título do personagem que ele assumirá.
Já as duas histórias finais não tem muita pretensão, salvo reapresentar
ao leitor as duas personagens mais importantes da vindoura Vingadores vs X-Men.
Nas duas, Frank Cho matou a pau e não precisou apelar pra qualquer sensualidade
desnecessária. Bendis aqui não conseguiu dar muito sentimento a história e
coesão a história. Acaba deixando o leitor tão indignado quanto os demais
heróis sobre a atitude do Visão. Daí, como você não acha a atitude lógica (que
deveria ser própria pra um sintozóide), acaba não se comovendo com aquelas
lágrimas no final. Já Jason Aaron foi um pouco mais feliz nas suas 15 páginas.
Quem vê a Esperança aqui, começa a ver muito da determinação militar de Cable
ali, apesar de um pouco mais imatura. A guria consegue peitar o líder dos
X-men, como outrora seu pai já o fez tanta as vezes, e você consegue se
incomodar tanto quanto ela com o silêncio de Ciclope, mexendo com seu destino,
mas sem compartilhar quais são suas verdadeiras intenções. No final, um olhar
de Esperança para os céus transmite exatamente o que esperamos dela, um
verdadeiro sentido da sua existência. Ele é a Messias? Ela é a Esperança de
todos os mutantes?
Por: Coveiro
Fonte: Universo Marvel 616
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