Logo criado por Jorge Luís

Batman: Desconstruindo o Ano Zero - Parte 1

[o artigo abaixo contém spoilers]

A partir desta quinta-feira o Terra Zero faz resenhas mensais do novo grande arco do Batman,Zero Year, proposto por Scott Snyder e Greg Capullo. Conhecida por colocar o Batman praticamente todos os meses entre as 10 revistas mais vendidas do mercado desde o início do DC Relaunch, a dupla também tem feito questão de trabalhar em arcos grandes e duradouros, sempre revisitando temas antigos e mixando todos com novos elementos para que leitores não regulares possam acompanhar o título de quando em vez com certa facilidade. Foi assim com A Noite das Corujas, com Morte da Família e será assim com Ano Zero.

batman-year-zero

Por ser um arco que trabalha os primeiros meses de Bruce Wayne como vigilante mascarado antes de criar a identidade do Batman, o Terra Zero faz questão de analisá-lo capítulo a capítulo, entendendo e comentando a história e citando referências à longa vida do Homem-Morcego espalhadas pelas páginas de Capullo.

Ficha Técnica:
Batman #21
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Greg Capullo
Arte-Final: Danny Miki
Cores: FCO Plascencia
Capas: Greg Capullo, Jock

Visualmente, Batman #21 é um dos números mais bonitos da revista até agora. Capullo afastou-se de vez dos exageros que herdou de Todd McFarlane quando trabalhava em Spawn e dá um aspecto cartunesco interessantíssimo para constrastar com a seriedade do personagem em questão. Ao mostrar uma Gotham City pré Batman, o artista retrabalha vários locais da cidade que evoluíram com os anos graças à benfeitoria do Batman ou de Bruce Wayne. É perceptível, em todas as páginas, que a Gotham pré Batman é muito diferente da atual. Capullo fez questão de deixar isso claro e a ideia caiu muito bem para a história.

E falando em história, Snyder faz um trabalho eficaz com o primeiro capítulo. A primeira coisa que os leitores se perguntam com uma história dessa nas mãos é: “por que explorar uma parte da vida do personagem que já era tida como definida?“. Logo, além de entregar um trabalho que funcione, Snyder também tem que justificar por que está entrando num aspecto da vida de Bruce Wayne que não precisava ser mexida. Pelo menos neste primeiro capítulo ele consegue.

A história é narrada como um episódio de Lost, com vários flashbacks de tempos diferentes que somam conteúdo à linha cronológica principal. O leitor tem um vislumbre do Batman em começo de carreira (com suas clássicas luvas roxas e uma moto), assim como vê Bruce ainda pequeno e tendo uma infância saudável com seus pais. Todavia, além disso, há duas linhas de trama que serão desfiadas por todo o arco: a) a transformação de Bruce em Batman e sua revelação para Gotham de que está vivo (já que ele foi tido como morto há alguns anos após ter desaparecido) e b) a ligação de Edward Nygma com Bruce, suas empresas e, por consequência, com o Batman.

Sim, leitor, como o Bleeding Cool levantou a bola meses atrás, o Ano Zero do Batman também servirá para definir a personalidade maligna de Nygma, no momento um empregado das Indústrias Wayne que quer encorajar Philip Kane (tio de Bruce e atual CEO do grupo) a assassinar Bruce para eliminar herdeiros primários do que os Wayne deixaram ao serem assassinados.

Assim como fez com a Corte das Corujas o escritor Scott Snyder tenta dar substância ao passado dos Novos 52 para que o sabor amargo do repentino reboot desapareça aos poucos para os leitores. Pelo menos nesta história a coisa toda funcionou muito bem, com um ótimo gancho para a edição seguinte.

Vale destacar a história backup de Snyder e Rafael Albuquerque, uma dupla com grande química desenvolvida em anos de Vampiro Americano, mostrando Bruce em investidas rápidas contra o crime muito antes de voltar a Gotham City já adulto e treinado. Nesta história, curiosamente, ele está no Rio de Janeiro ajudando a polícia local a prender um traficante. Apesar de alguns estereótipos típicos dos norte-americanos quanto aos latino-americanos, o pequeno conto funciona bem e dá mais vida ao passado do Bruce pré Batman.

Nota: 8,5/10

Referências (por número de página):
1-Uma visão do abandonado Monarch Theater, local onde Bruce Wayne esteve pela última vez com seus pais assistindo o clássico “A Marca do Zorro”, que lhe inspirou mais tarde a ser um vigilante mascarado;
4-Assim como na sua estreia em Detective Comics #27, o Batman volta a usar luvas roxas;

batman-purple-gloves

6-O Capuz Vermelho é parte integrante dos primeiros anos do Batman. É possível ver o Bruce Wayne usando uma máscara de borracha que lembra muito a que Dick Grayson usava em seus anos finais de Novos Titãs;
13-O boné de Bruce carrega o símbolo do Robin, deixando na dúvida se o “R” do qual Bruce se apoderou para simbolizar seus parceiros mirins veio de um time para o qual ele torcia;
15-A Moeda Gigante que enfeita a Batcaverna há anos ficava na frente do prédio principal da Wayne Enterprises. Oh sim, e o topo do prédio parece a máscara do Batman;
17-O Lincoln que Thomas Wayne estava arrumando é idêntico à primeira versão do Batmóvel, que ainda não tinha este nome e era pintado de vermelho. Curiosamente, no seriado dos anos 1960 estrelado por Adam West e Burt Ward o carro da dupla era um Lincoln modelo Futura;

batman-batmobile-zero-year

20-Edward Nygma já era obcecado pelos mistérios e interrogações desde que era um empregado das empresas Wayne.
25-Curiosamente, o ladrão que está com Bruce no Rio de Janeiro está usando uma camiseta cavada rubro negra. Se fosse em São Paulo a possibilidade da camiseta ser do “curíntia” seria grande 


Fonte: Terra Zero

Postar um comentário

0 Comentários