[o artigo abaixo contém spoilers]
A partir desta
quinta-feira o Terra Zero faz resenhas mensais do novo grande arco do Batman,Zero Year, proposto por Scott Snyder e Greg Capullo. Conhecida por colocar o Batman
praticamente todos os meses entre as 10 revistas mais vendidas do mercado desde
o início do DC Relaunch, a dupla também tem feito questão de trabalhar em arcos
grandes e duradouros, sempre revisitando temas antigos e mixando todos com
novos elementos para que leitores não regulares possam acompanhar o título de
quando em vez com certa facilidade. Foi assim com A Noite das Corujas, com
Morte da Família e será assim com Ano Zero.
Ficha Técnica:
Batman #21
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Greg Capullo
Arte-Final: Danny Miki
Cores: FCO Plascencia
Capas: Greg Capullo, Jock
Batman #21
Roteiro: Scott Snyder
Arte: Greg Capullo
Arte-Final: Danny Miki
Cores: FCO Plascencia
Capas: Greg Capullo, Jock
Visualmente, Batman
#21 é um dos números mais bonitos da revista até agora. Capullo afastou-se de
vez dos exageros que herdou de Todd McFarlane quando trabalhava em Spawn e dá um aspecto cartunesco
interessantíssimo para constrastar com a seriedade do personagem em questão. Ao mostrar
uma Gotham City pré Batman, o artista retrabalha vários locais da cidade que
evoluíram com os anos graças à benfeitoria do Batman ou de Bruce Wayne. É
perceptível, em todas as páginas, que a Gotham pré Batman é muito diferente da
atual. Capullo fez questão de deixar isso claro e a ideia caiu muito bem para a
história.
E falando em
história, Snyder faz um trabalho eficaz com o primeiro capítulo. A primeira
coisa que os leitores se perguntam com uma história dessa nas mãos é: “por que explorar uma parte da vida do personagem que já era tida
como definida?“. Logo, além de entregar um trabalho que funcione,
Snyder também tem que justificar por que está entrando num aspecto da vida de
Bruce Wayne que não precisava ser mexida. Pelo menos neste primeiro capítulo
ele consegue.
A história é narrada
como um episódio de Lost, com vários flashbacks de tempos diferentes que
somam conteúdo à linha cronológica principal. O leitor tem um vislumbre do
Batman em começo de carreira (com suas clássicas luvas roxas e uma moto), assim
como vê Bruce ainda pequeno e tendo uma infância saudável com seus pais.
Todavia, além disso, há duas linhas de trama que serão desfiadas por todo o
arco: a) a transformação de Bruce em Batman e
sua revelação para Gotham de que está vivo (já que ele foi tido como morto há
alguns anos após ter desaparecido) e b) a ligação de Edward Nygma com Bruce, suas empresas e, por
consequência, com o Batman.
Sim, leitor, como o
Bleeding Cool levantou a bola meses atrás, o Ano Zero do Batman também servirá
para definir a personalidade maligna de Nygma, no momento um empregado das
Indústrias Wayne que quer encorajar Philip Kane (tio
de Bruce e atual CEO do grupo) a assassinar Bruce para eliminar herdeiros
primários do que os Wayne deixaram ao serem assassinados.
Assim como fez com a Corte das Corujas o escritor Scott Snyder tenta dar
substância ao passado dos Novos 52 para que o sabor amargo do repentino reboot
desapareça aos poucos para os leitores. Pelo menos nesta história a coisa toda
funcionou muito bem, com um ótimo gancho para a edição seguinte.
Vale destacar a
história backup de Snyder e Rafael Albuquerque, uma dupla com grande química
desenvolvida em anos de Vampiro Americano, mostrando Bruce em investidas
rápidas contra o crime muito antes de voltar a Gotham City já adulto e
treinado. Nesta história, curiosamente, ele está no Rio de Janeiro ajudando a polícia local a prender um
traficante. Apesar de alguns estereótipos típicos dos norte-americanos quanto
aos latino-americanos, o pequeno conto funciona bem e dá mais vida ao passado
do Bruce pré Batman.
Nota: 8,5/10
Referências (por número de
página):
1-Uma visão
do abandonado Monarch Theater, local onde Bruce Wayne esteve pela última vez
com seus pais assistindo o clássico “A Marca do Zorro”, que lhe inspirou mais
tarde a ser um vigilante mascarado;
4-Assim como na sua estreia em Detective Comics #27,
o Batman volta a usar luvas roxas;
6-O Capuz Vermelho é parte integrante dos primeiros anos do
Batman. É possível ver o Bruce Wayne usando uma máscara de borracha que lembra
muito a que Dick Grayson usava em seus anos finais de Novos Titãs;
13-O boné de
Bruce carrega o símbolo do Robin, deixando na dúvida se o “R” do qual Bruce se
apoderou para simbolizar seus parceiros mirins veio de um time para o qual ele
torcia;
15-A Moeda
Gigante que enfeita a Batcaverna há anos ficava na frente do prédio principal
da Wayne Enterprises. Oh sim, e o topo do prédio parece a máscara do Batman;
17-O Lincoln
que Thomas Wayne estava arrumando é idêntico à primeira versão do Batmóvel, que
ainda não tinha este nome e era pintado de vermelho. Curiosamente, no seriado
dos anos 1960 estrelado por Adam West e Burt Ward o carro da dupla era um
Lincoln modelo Futura;
20-Edward Nygma já era obcecado pelos mistérios e
interrogações desde que era um empregado das empresas Wayne.
25-Curiosamente,
o ladrão que está com Bruce no Rio de Janeiro está usando uma camiseta cavada
rubro negra. Se fosse em São
Paulo a possibilidade da camiseta ser do “curíntia” seria
grande
Fonte: Terra Zero
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