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Batman: Desconstruindo o Ano Zero - Parte 2

[o artigo abaixo contém spoilers]

Com uma sutil melhora do primeiro capítulo para este, a exploração do Ano Zero de Bruce Wayne se torna mais interessante e atrativa nesta segunda parte. Algumas pontas propostas pela primeira parte da história já começam a se juntar e o leitor fica com uma agradável sensação de que a história realmente está indo para algum lugar.

Claro, todo mundo sabe que o fim da história é Bruce Wayne começando sua transformação no Homem-Morcego, todavia Scott Snyder tem enriquecido esta pequena vírgula cronológica de uma forma criativa e instigante, especialmente ao unir o passado de Wayne aos trambiques e labirintos extremamente bem elaborados de Edward Nygma.

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Ficha Técnica:
Batman #22
Roteiro: Scott Snyder
Arte e Capa: Greg Capullo
Arte-Final: Danny Miki
Cores: FCO Plascencia


Da mesma forma que este capítulo mostra uma evolução em relação ao primeiro ele também serve para abrir mais o leque de possibilidades narrativas no futuro. A obsessão de Nygma com truques e charadas é um contraponto à obsessão de Bruce Wayne em fazer o que é certo – ou pelo menos o que ele acha ser certo. Quando é encarado por seu mordomo Alfred Pennyworth por guerrear de forma anônima e duvidável, Wayne mostra o típico descontrole emocional de jovens obcecados com um ideal.

Obviamente há muitos clichês aqui, seja na pequena briga entre Bruce e Alfred que eventualmente se transformará em um sentimento paterno e de guarda, mas nada disso estraga a diversão da leitura. O Capuz Vermelho continua sendo o sádico da história, dando cada vez mais a entender que ele é de fato o embrião do Coringa, especialmente pela forma como seu caminho se cruza com Bruce em diversas vezes ou pelas armadilhas fatais recheadas de humor negro.


O maior destaque da edição, todavia, fica por conta de uma única página entre Bruce e Nygma. Quando Philip Kane, tio do herói, o convoca para uma estranha reunião no Museu de Gotham e revela aos sócios majoritários das empresas Wayne, jornalistas e socialites que o filho de Gotham está de volta e vivo, o rapaz, movido pelo ódio de ter seu anonimato revelado, procura sair do local despistando os presentes. É então que ele se depara com Nygma e ambos iniciam um téte-a-téte de charadas e respostas ilustrados com uma maestria invejável por Capullo.

Mais do que trabalhar extremamente bem a dinâmica entre dois gênios das charadas, Snyder e Capullo ainda brincam com o conceito do Oroboro (a cobra picando seu próprio rabo), instituído na cronologia do Homem-Morcego por Grant Morrison em Batman Incorporated. Isto prova o quanto Snyder conhece do Batman e está preparado para referenciar uma série de conceitos e valores fundamentais ao personagem pelo bem de sua narrativa.


Pra finalizar, mais uma vez o autor e o desenhista brasileiro Rafael Albuquerque provam que possuem uma química invejável ao contar mais um trecho da vida de Bruce Wayne antes de voltar à sua cidade natal: desta vez o rapaz está no Egito sendo desafiado a quebrar a barreira do possível e criar inventos além do imaginário por um cientista russo que parece ser uma espécie de professor para ele. É neste ponto que o futuro herói mascarado dá seu primeiro passo para o impossível e uma infinidade de possibilidades se abrem para ele.

Está sendo extremamente interessante ver como a história principal possui uma coluna vertebral para a construção do mito enquanto as histórias backup dão mais sustância aos desafios pelos quais o protagonista passou quando mais novo para chegar até sua guerra invisível em sua própria cidade. Batman se prova, mais uma vez, como um dois melhores títulos dos Novos 52 e de super-heróis em geral com esta edição.

Nota: 9/10

Referências (por número de página):

Snyder e Capullo não fizeram tantas referências a fatos da vida do Homem-Morcego nesta edição, deixando então sua cota de “easter-eggs” para o futuro. Abaixo estão citadas as únicas referências realmente relevantes neste número de Batman Zero Year:

3-) Luca Falcone é primo de Carmine Falcone. Até onde se sabe o personagem foi criado por Snyder para esta história apenas para enriquecer a guerra da máfia contra o grupo do Capuz Vermelho;

6-) O braço esquerdo de Bruce Wayne já mostra as “asinhas” de morcego que viriam a incorporar suas manoplas no futuro;

11-) O encontro de Bruce com os morcegos na caverna quando era criança é bastante semelhante ao que acontece no filme Batman Begins, especialmente em questão de “fotografia”. Foi uma boa referência de Capullo.


Fonte: Terra Zero

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