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Planeta Marvel NOW: Wolverine #1

[o artigo abaixo contém spoilers]

Roteiro de Paul Cornell
Desenhos de Alan Davis
Arte-final de Mark Farmer
Cores de Matt Hollingsworth

Pois é, mais um título do Wolverine. Este, ao contrário de Savage Wolverine, é a nova encarnação da série em quadrinhos mais antiga do personagem. A intenção deste relançamento é novamente oferecer ao leitor novato, ou àquele que ficou um bom tempo sem ler histórias do mutante baixinho mais onipresente da Marvel, um novo ponto de partida, sem que eles precisem se informar sobre o que aconteceu com o personagem nos últimos anos.

Claro que o lançamento do filme Wolverine – Imortal, com estréia programada para 26 de julho, também criou para a editora uma boa oportunidade para atrair novos e antigos leitores para uma série mensal do bom e velho Carcaju.

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A história desta primeira edição começa com uma crise já em andamento. Wolverine, com metade do corpo carbonizado, caído sobre uma pilha de dezenas de esqueletos dentro do saguão de um shopping onde uns poucos reféns são mantidos sob a mira de um homem empunhando uma arma estranha. Difícil não ficar curioso sobre o desenrolar da situação, e sobre como tudo chegou àquele ponto.
Ciente de que tem um personagem já estabelecido em mãos, Paul Cornell opta por jogá-lo numa situação em que ele fica tão perdido quanto o leitor, criando, desta forma, um ponto de identificação entre Wolverine e nós. E o autor sabe conduzir o suspense em torno da premissa que imaginou, gerando mais perguntas na cabeça do protagonista, conforme o psicopata demonstra uma total indiferença para com a vida de seus reféns, chegando ao ponto de dizer que não quer nada em troca deles, quando a polícia tenta um acordo. Em contrapartida seu interesse por Wolverine aumenta quando descobre sobre seu fator de cura e seu esqueleto de adamantium.

Como esta é a série de um dos heróis mais impulsivos da Marvel não demora para a situação alcançar um ponto de ruptura em que Wolverine é obrigado a usar suas garras para evitar que tudo fique ainda pior, algo que acontece na metade da história, quando ele se vê forçado a matar o criminoso na frente se seu filho, Alex. É aí que tudo começa a ficar mais intrigante. Primeiro porque fica claro que a causa do problema não estava no homem mas na arma. Antes de morrer ele parece recuperar a consciência assim que perde o contato físico com o objeto. E depois porque ela logo encontra um meio de dar continuidade aos seus planos, através do filho do falecido.
Alex estranhamente se recupera muito rápido do choque de ver seu pai ser morto por Wolverine, e parece pouco se importar com o ocorrido, demonstrando um interesse obsessivo pela natureza dos poderes do herói mutante. Esta obsessão surge assim que o garoto se aproxima da arma, que aparentemente assume o controle de seu corpo. Mais curioso ainda é o momento em que o garoto se refere a si mesmo como “nós”, levantando as suspeitas de que o aparelho funciona como uma antena usada por um grupo de pessoas ou seres desconhecidos para controlar seu usuário remotamente.
Isto acaba gerando um conflito interessante para Wolverine, que recentemente foi obrigado a matar seu filho Daken no arco final de Uncanny X-Force pré-Marvel Now (fato que é rapidamente citado na história). O que segue é uma perseguição frenética ao garoto, que rouba a arma, eletrocuta policiais, atropela e explode um carro em cima de Wolverine. É como se tudo fosse uma série de testes para medir a potência de seu fator de cura mutante, uma possibilidade que não pode ser descartada.

Apesar de ser uma história mais centrada no mistério em torno da arma e do impulso assassino que ela desperta no pai e no filho, Cornell ainda reserva um espaço para encaixar boas sacadas de caracterização em Wolverine. Num momento ele revela que o mutante gosta de ir a cafés pelo prazer que sente de mergulhar seu olfato aguçado nas dezenas de variações de aroma da bebida (realmente é o cheiro que mais se destaca dos outros nos shoppings). Em outro Wolverine instrui uma amiga policial a entrar em contato com um conhecido dele, dono de um bar, onde ele mantém um uniforme reserva para situações de emergência. São pequenos detalhes como este que tornam o personagem mais crível.
Apesar da competência usual, Alan Davis parece bem menos cuidadoso nesta edição. Não que haja uma queda considerável na qualidade de seus desenhos, mas ele já caprichou mais em trabalhos anteriores. Talvez seja a idade finalmente cobrando o seu preço de um artista que até então foi um dos mais consistentes de seu ramo. Ainda assim, está bem acima da média de muitos de sua geração que já não mandam tão bem nos desenhos quanto ele.


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