Logo criado por Jorge Luís

Superman de John Byrne Parte 2 - Universo compacto

Superman de John Byrne Parte 2 – Universo compacto

Embora a DC tivesse decretado o fim dos universos alternativos com a Crise nas Infinitas Terras, John Byrne trouxe a ideia de universo paralelo de volta para poder explicar as incongruências na mitologia do Superman que restaram por conta da reformulação, consequência de algumas mudanças fundamentais nas bases do personagem. No universo DC da época, Superman era o último Kryptoniano, então não havia Supergirl, criminosos da Zona Fantasma, Kripto ou outros superanimais. Além disso, Superman também nunca havia sido Superboy, o que causava graves problemas para a origem de uma das superequipes mais queridas pelos leitores da DC na época.

00 Inicio_2

Para sanar estes problemas, Byrne invocou o Universo Compacto, uma espécie de realidade temporária e autocontida (já assistiu Donnie Darko? É mais o menos por aí) onde existia um Superboy e outros super-heróis nunca existiram.  O universo compacto explicou algumas incongruências (embora de forma bastante complexa) e resultou numa sequência de grandes momentos que fizeram história na trajetória do Homem de Aço, que você confere a seguir.

A Legião do Superman

 photo 01Legiao1_zpsdc482782.jpg

Uma das melhores criações surgidas como “spin offs” do Superman (talvez a melhor) foi, sem dúvida, a Legião dos Super Heróis. Originalmente, a equipe era um grupo de super-heróis adolescentes do futuro que, inspirando-se nas ações do Superboy, decidiram usar seus poderes para salvar o mundo em seu tempo. Os membros da Legião voltaram no tempo para conhecer seu ídolo e com isso iniciou-se uma tradição de histórias do Superboy no futuro com a Legião.

Mas, na reformulação do Byrne, Clark só havia se revelado ao mundo quando adulto, sendo que, nesta nova versão, só existiu um Superman, nunca um Superboy. Aliás, não havia mais nem Superboy, nem Supergirl, nem Krypto, nem nenhum outro sobrevivente do planeta natal do herói. Então, como é que a Legião dos Super-heróis poderia ainda existir tendo se inspirado num Superboy?

John Byrne teve que resolver este problema apelando para uma solução que, de certa forma, contrariava justamente aquilo que a DC tentou resolver com Crise nas Infinitas Terras: universos paralelos.

Na interpretação do Byrne, a criação da Legião dos super-heróis foi uma manipulação do vilão Senhor do Tempo, que criou um universo alternativo compacto a partir de informações históricas imprecisas do século XXX para onde a Legião era “desviada” toda vez que viajava no tempo. Enquanto achavam que estavam indo para o passado real, estavam, na verdade, sendo levados para esse universo limitado.

A história toda é longa para ser contada aqui, mas o que importa é que, obviamente, o Superboy do mundo compacto e o Superman do John Byrne acabam se encontrando, e com o jovem manipulado pelo Senhor do Tempo, eles acabam se enfrentando, e eventualmente ajudando-se mutuamente e junto com a Legião descobrem a conspiração toda.

É difícil tirar um único momento deste tema em particular, especialmente para mim; a luta entre Superman e Superboy certamente está entre elas, assim como a explicação para a existência dele e da Legião, e é claro não dá para deixar de citar a sequência deste arco de histórias, nas histórias da própria Legião, onde Superboy se sacrifica para manter o seu mundo vivo.

A Supermoça do Superman

 photo 03supermoccedila1_zps0d37065b.jpg

A Saga da Supermoça, publicada aqui na revista Superpowers 17, foi outro grande momento do Superman do Byrne. Neste arco de histórias, o autor revisita o conceito de “Supergirl” de um modo completamente diferente. Como uma das “exigências” do autor para as histórias era que Superman fosse o último filho de Krypton (e único vivo), sua Supermoça não era a clássica versão “prima do Superman que por coincidência também tinha um pai que por coincidência também resolveu fazer uma nave e salvar sua filha antes de Krypton morrer”, e sim algo completamente diferente.

Nesta nova versão, a história da Supermoça está atrelada ao mundo compacto criado para explicar a influência do Superboy na criação da Legião dos Super-Heróis. Após o sacrifício do Superboy, o mundo compacto continuou existindo e, neste mundo, Lex Luthor era um cientista “do bem”, que sem querer acaba libertando 3 criminosos da Zona Fantasma, General Zod, Faora e Quex-ul. Sem nenhum Superboy para impedir os vilões, estes causaram destruição e dominaram o mundo. Tentando resolver a cagada que fez, Lex Luthor, usando material genético de Lana Lang, que havia perecido durante os ataques dos vilões, e criou uma “Supermoça” feita de uma substância chamada “protomatéria”**. Esta Supermoça era uma forma de vida artificial que não tinha exatamente as mesmas habilidades do Superboy: apesar de ser superforte e poder voar, podia também ficar invisível, mudar de forma e possuía poderes telecinéticos.

Esta Supermoça se encontrou com Superman ao ser enviada por Lex Luthor para o nosso mundo a fim de encontrar o Superman e pedir ajuda para enfrentar os criminosos. No entanto, em sua viagem, ela perde a memória e por um tempo passa a viver com os Kents.

Mas esta história também é longa, e é melhor eu resumir aqui com sem dúvida um grande momento desta fase: no arco de histórias que aqui ficou conhecida como “vidas paralelas se encontram no Infinito”, Superman retorna ao mundo compacto para conhecer um universo completamente aniquilado pelos 3 criminosos Kriptonianos, e só a Supermoça e o Superman, com a ajuda de Luthor e humanos sobreviventes (não por acaso versões de heróis como Oliver Queen, Bruce Wayne e Hal Jordan, que neste universo não haviam se tornado super-heróis) é que puderam salvar o pouco que resta daquele universo.

O juiz Superman

 photo 05juiz_superman1_zpsc53d069a.jpg

De todos os momentos citados, acho que este eu poderia tranquilamente colocar como O grande momento do Superman do Byrne, por um único – e suficiente – motivo: ele mexe com o cerne daquilo que se tornou parte fundamental do cânone do personagem, ou seja, o fato de que Superman não mata*.

Mas o Superman do John Byrne também se viu numa situação sem precedentes: os 3 criminosos kriptonianos (Zod, Faora e Quex-ul), que tinham sido libertados no mundo compacto, destruíram aquele universo INTEIRO. Não sobrou nada, nem ninguém. Apenas Superman e os 3 vilões. Isso deixou Superman com uma batata quente na mãos. Os Kriptonianos do universo compacto eram MAIS poderosos que o Superman. Se eles destruíram o universo compacto inteiro, imagina o quanto de destruição que não fariam se conseguissem, por exemplo romper os limites dos universos e chegar até o nosso? Deixá-los vivos acabava sendo perigoso demais.

A solução que Superman tomou, a contragosto de si mesmo, foi deixa-los morrer no mundo compacto. uma vez que não havia mais ninguém naquele universo para julgar os atos dos criminosos, coube à Kal-El o papel de juiz, júri e executor.

Mas antes que os mais exaltados (se é que alguém já não soubesse que isso aconteceu) comecem a xingar, saibam que esse não foi um evento gratuito. Teve, de fato, impacto profundo no Superman, que ficou com um peso na consciência tão grande que acabou se exilando no espaço para pensar no que ia fazer dali para diante.

 photo 06juiz_superman_zps402c55be.jpg

Bem, acredito que este texto cubra os maiores – e melhores – momentos do Superman do John Byrne. Se eu esqueci de algo, citem nos comentários. Desculpem pela extensão do texto, que acabei tendo que dividir em duas partes, mas acho que isso é um bom indicativo da importância desta reformulação para o cânone do personagem. Se você leu até aqui, parabéns, você é persistente (ou se interessa muito pelo Super).

Notas:

*Me refiro, é claro, à visão que ficou no imaginário popular. Originalmente, matar não era tanto um problema para o personagem.

**Não pergunte. Ciência de histórias em quadrinhos…
Rafael Rodrigues, do site Uarevaa



Postar um comentário

0 Comentários