Carl Lucas cresceu na vizinhança
pobre e violenta do Harlem, onde a vida marginal o levou a cometer pequenos
delitos. Apesar de estar cada vez mais envolvido na vida bandida, foi preso e
condenado por um crime que não cometeu. Como se não bastasse, no presídio era
alvo constante de um sádico guarda chamado Rackham.
Sem nenhuma perspectiva, Lucas
aceitou ser cobaia em um experimento onde seria banhado com um produto químico
em um moderno maquinário. Mas Rackham (que já havia sido advertido pelos maus
tratos aos presidiários), invade o laboratório e sabota o experimento. Como
resultado, o equipamento começa a cozinhar Lucas vivo dentro do banho químico
até que explode com ele dentro. No entanto, ele não só sobrevive como parece
ter adquirido força sobre-humana.
Fugindo para a cidade, Lucas
acidentalmente impede um assalto e recebe uma pequena recompensa pelo seu ato
heroico. Isso lhe dá uma ideia: já que tem poderes sobre-humanos, decide
usá-los e ganhar dinheiro com eles. Dessa forma, cria um codinome, uma
vestimenta colorida como se fosse um super-herói e oferece seus poderes para
defender os fracos e oprimidos como Luke Cage, o herói de aluguel.
Luke Cage
foi um dos primeiros super-heróis negros de destaque no mundo dos quadrinhos, a
ponto de ter sua própria revista, chamada “Luke Cage, Hero For Hire”, criado
pelo escritor Archie Goodwin e pelo desenhista George Tuska, em Junho de 1972,
já no finzinho da Era de Prata.
Surgiu
aproveitando a “Onda Black” conhecida como blaxpoitation, sem esquecer a origem
pobre e a própria discriminação que sofriam. Interessante notar como Luke Cage
não era exatamente um alienado no que diz respeito aos seus “irmãos” do Harlem.
Cresceu e se entregou ao mundo do crime como muitos dos seus amigos, sem que,
em momento algum, demonstrasse desejo de mudar o modo de pensar da população.
O máximo de “herói” que o personagem
apresentava no início era uma independência em relação aos outros criminosos,
não se envolvendo em crimes mais violentos ou mesmo em planos mirabolantes de
seus colegas presidiários.
Mesmo após
ganhar sua pele dura e sua força extra, ainda assim pensou em ganhar dinheiro
com o “heroísmo” que iria praticar.
Para os mais
puritanos, Cage poderia estar agindo como um mero picareta, uma espécie de
agiota que emprestaria suas capacidades. Mas a experiência dessa nova vida como
super-herói lhe traria muitas outras lições.
Para quem conhecia a dura realidade
dos guetos, no entanto, era algo mais que isso. Era um simples desejo de
sobreviver a qualquer preço, dentro de um mundo que o marginalizava apenas pela
cor de sua pele, utilizando aquilo que tinha a mão ou que sua experiência de
vida poderia lhe trazer.
O nome
inclusive, soa irônico para o personagem, já que Cage, em inglês, remete a
prisão, gaiola. E Luke “engaiolado” não deixaria esquecer que, de uma forma ou
de outra, o herói era alguém cumprindo uma espécie de pena alternativa.
Curiosidade: o nome Luke Cage também serviu de
inspiração para que Nicholas Kim Coppola, sobrinho do diretor Francis Ford
Coppola, escolhesse seu nome artístico. Querendo que sua carreira fizesse
sucesso sem que isso tivesse influência do sobrenome do famoso tio, Nicholas,
fã confesso de quadrinhos, passou a se chamar Nicholas Cage.
Fonte: Impulso HQ
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