Esse especial foi produzido pela
Marvel em 1982. Essa é uma história fechada criada por Stan “O cara” Lee e
o desenhista canadense , John Byrne. Nela o Senhor Fantástico descobre uma
forma de fazer o Surfista atravessar a barreira imposta por Galactus que o
prende na Terra, criada pelo devorador de Mundos anos atrás como um castigo por
ter sido traído por seu ex arauto.
Nota-se o quanto incrível o intelecto de Reed Richards
pode ser, quando não está ao lado do Homem de Ferro fazendo besteira por aí.
Ainda bem que ele não meteu a colher elástica durante a saga Vingadores VS
X-men, já basta o fiasco com o Clor, o clone do Thor…
Aproveitando a oportunidade única, o Surfista Prateado então parte
imediatamente, cruzando o universo em direção à Zenn-La, seu antigo mundo
natal. Para quem é apenas um garoto como o Moe e talvez não saiba, foi para
salvar seu planeta, anos antes, que o então jovem Norrin Radd, sacrificou sua
humanidade e seu amor em troca da sobrevivência de seu lar. Em um pacto com
Galactus. Ao chegar em seu destino, é isso que nosso herói vê. Parece até
certas áreas da Amazônia…
Através dos sobreviventes, ele descobre que Galactus retornou para o seu
planeta após o Surfista ter traído-o para salvar a Terra. Em outras palavras, o
gigante ficou magoadinho e resolveu se vingar. Olha só o sorriso de satisfação
do infeliz. Não comeu a Terra, então resolveu devorar o que de mais precioso
Norrin teria. E sorte do Surfista que Galactus não poderia tecnicamente
“carcar” Shalla-Bal…
Mas essa história criada pelo velho Stan é de uma maldade gratuita (rs),
desenvolvida com a única intensão de através de algum fetiche relacionado com o
sadismo, infernizar a vida do nobre viajante cósmico. Dessa forma, descobrimos
juntos com o Surfista, que Mephisto apareceu na festa em algum momento e
sequestrou sua amada!
O Surfista Prateado segue um rastro deixado por Mephisto de volta à
Terra, mais precisamente para a Latvéria (como ele consegue em um tempo mínimo
ir de um lugar ao outro?) Simples, o Surfista usa o Bilhete Único, do Eduardo
Paes. Ao chegar no país do Doutor Destino, aliás muito sacana do Mephisto se
apropriar da casa de Von Doom para realizar esse “encontrinho”, aja visto que o
mesmo tem uma antiga confusão com o ditador por manter a alma da mãe de Victor
no Inferno. descobrimos que o chifrudão pretende fazer o mesmo com a amada do
Surfista.
Então rola um UFC básico! Lógico que eu apostaria todas as minhas fichas
no Wanderley Silva cromado!
Mephisto, vira a mesa, enviando a jovem de volta à Zenn-La. Já que o
Surfista retornou para a Terra, ele está novamente preso a barreira que o
impede de avançar para fora da atmosfera do nosso mundo. E de volta ao seu
planeta, Shalla-Bal a medida que caminha, vai restaurando a vida por onde passa!
Obviamente essa não foi a primeira
vez que os fãs da Casa das Ideias (na época, boas ideias), viram Shalla-Bal
pela primeira vez, mas parece um pouco desapontador que ela continue viva e
jovem, afinal isso acaba por fazer com que o leitor pressuponha que o Surfista
não foi arauto de Galactus por muito tempo. Fora isso, não há problema nenhum
com essa edição, muito pelo contrário.
Não fica claro se realmente o Devorador de Mundos
destruiu o planeta em um ato mesquinho de vingança, o que de forma alguma
define a criatura acima dessas paixões humanas que ele representa. Talvez ele
tenha voltado para Zenn-La para se alimentar, lógico. É possível que o que
tenha levado o gigante para lá seja o fato de se tratar do mundo com vida mais
próximo que a criatura tinha na memória… Ou como deve ter passado pela cabeça
de muitos de nós, tudo isso se trata de uma ilusão de Mephisto – é bem a cara
daquele maldito torcedor do Internacional. Afinal, os novos poderes de
Shalla-Bal podem comprovar que essa teoria é totalmente possível.
Por fim, a arte fantástica de Byrne, aqui no seu
auge, ajuda em muito a elevar o nível dos roteiros de Stan Lee, que para a
sorte de nós leitores, estavam muito próximos do trabalho que ele costumava
manter na antiga série do Surfista Prateado. Sim, tanto o Surfista, quanto o
Hulk (esse por apenas seis edições), ele escrevia muito bem.
Esse foi um belo conto da Marvel , ainda da época em que vira e mexe, se
produziam trabalhos sem a necessidade de se colocar herói contra herói, ou
matar de fato quem quer que seja, para que uma história fosse realmente
imortal. Temos muitas referências históricas nesse especial, como a primeira
aparição do Surfista nas páginas do Quarteto Fantástico de Lee & o rei Jack
Kirby (#48-50) e a história clássica do ex arauto de Galactus, no FF #155-157,
onde o Doutor Destino o ilude, para que lute contra o Quarteto, usando de uma
duplicata de Shalla-Bal. Acabou=se então por determinar na cronologia oficial,
de que essa “duplicata” agora foi na verdade a verdadeira, ex namorada do nobre
Surfista, colocada lá sem suas memórias, por Mephisto.
Fonte: O Santuário
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