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domingo, 12 de agosto de 2018

Colaboradores do Planeta Ouve Especial: Histórias do Rock Nacional Parte 2 - Banda Blitz

Material produzido pelo nosso colaborador Jorge Luis


HISTÓRIAS DO ROCK NACIONAL
Banda BLITZ


Início da Blitz e Primeiros Shows

Foi em 15 de janeiro de 1982, no verão carioca. Uma lona esticada sobre o pedaço de terra que separa Ipanema de Copacabana. À sua sombra toma forma um espaço multicultural e democrático que ficou conhecido como Circo Voador. Naquele palco praiano, que depois mudaria para a Lapa, no centro do Rio, nasceu a BLITZ.


Erguida no Arpoador, em 1982, a lona do Circo Voador se tornaria a casa de inúmeros artistas, entre bandas, atores, escultores e performáticos. O palco era um ambiente de pluralidade cultural e democracia, bem diferente do período conservador e autoritário no qual o Brasil vivia e que, pouco a pouco, ia caducando. Grandes nomes como Barão Vermelho e Cazuza, Kid Abelha, Legião Urbana, Capital Inicial, Os Paralamas do Sucesso, entre muitos outros, se consagraram no Circo. O Circo Voador ficou três meses no Arpoador, e naquele mesmo ano, foi transferido para a Lapa, no centro do Rio de Janeiro.


Mas a história da Blitz começa ainda no início de 1981, quando Evandro Mesquita e Lobão foram convidados por Mauro Taubman, dono da grife Company, para tocarem no Caribe, bar que o empresário estava inaugurando na orla de São ConradoEmbora na época tocassem apenas por passatempo, os dois aceitaram e recrutaram amigos músicos para fazer a apresentação na estreia do bar, em 21 de fevereiro, gerando grande repercussão no local, o que levou a uma série de outras apresentações com uma rotatividade de músicos convidados, mantendo apenas os dois fixos. Buscando profissionalizarem-se, os dois amigos buscaram músicos para juntarem-se a eles, trazendo Fernanda Abreu e Marcia Bulcão para os backingvocals, Ricardo Barreto na guitarra, Antônio Pedro Fortuna no baixo, Billy Forghieri nos teclados, além do próprio Evandro no vocal e Lobão na bateria.

As Aventuras da Blitz e Radioatividade


Retomando ao primeiro show no Circo Voador, maior casa de shows carioca da época, tocando pela primeira vez sob o nome de Blitz – nome inspirado pela quantidade de vezes que Evandro era parado pela polícia e multado. A repercussão chamou atenção da EMI, que assinaram contrato com a banda e, em 20 de julho, é lançado o primeiro single, "Você Não Soube Me Amar", trilha sonora de novelaNo lado B do disco uma voz repetia “nada, nada, nada”. Em três meses o compacto vendeu 100 mil cópias e aquela canção diferente, meio cantada, meio falada, cheia de swing, gírias e de alegria virou febre. Na sequência foi lançado o primeiro álbum , As Aventuras da Blitz 1, que vendeu 300 mil cópias e gerou grande repercussão pela mistura de músicas humoradas e figurinos futuristas. A BLITZ tinha o país aos seus pés.


Evandro & Cia surgiram na esteira do “Rock Brasil” – termo que a imprensa normalmente usava para se referir a artistas como Lulu Santos e grupos como Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, entre outros, que foram dando as caras no início dos anos 80 –, mas não formavam exatamente uma banda de rock. A BLITZ era inclassificável na melhor acepção do termo. E isso tinha muito a ver com a sua origem, o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone. De lá saiu Evandro Mesquita, o homem de frente do grupo, responsável por boa parte das letras deliciosamente coloquiais da banda. De lá saiu também Patrícia Travassos, que dirigiu os primeiros shows do grupo e imprimiu a eles a marca do espetáculo músico-teatral. Evandro não só cantava, mas também dialogava com as garotas do backing vocal, a cantora Márcia Bulcão e a amiga dela, a bailarina Fernanda Abreu. Na cozinha musical, jovens talentosos como Billy Forghieri (teclados, ex–Gang 90), Ricardo Barreto (guitarra), Antonio Pedro (baixo, ex-Mutantes) e Lobão (bateria) garantiam som de primeira.

Divergências e Sucesso


As divergências artísticas de Lobão e Evandro cresciam descontroladamente e, dias depois do lançamento do disco, Lobão decidiu deixar a banda, sendo substituído por Juba na bateria. A BLITZ se tornou uma das pioneiras do movimento do rock brasileiro da década de 1980. O segundo single lançado, "Mais Uma de Amor (Geme Geme)", se tornou o segundo maior sucesso da banda, embora tenha esbarrado na censura pela composição com teor sexual. "Cruel Cruel Ezquizofrenético Blues" foi lançada como terceiro single. Em junho de 1983 é lançado o novo single do grupo, "A Dois Passos do Paraíso", trazendo uma temática mais leve para que não fosse barrada pela censura. Na sequência é lançada "Betty Frígida", a canção mais ácida da banda, que contava a história de uma relação sexual que foi ruim para ambos os lados. Em 10 de setembro é lançado o segundo álbum, Radioatividade, com uma grande festa organizada na sede da EMI, que reuniu grandes artistas como Caetano Veloso e Paulo Cézar Lima. A turnê da banda, dirigida por Patrícia Travassos, alcançou um público recorde e os primeiros shows bateram 50 mil pessoas. O terceiro e último single lançado foi "Weekend".


As letras leves, bem-humoradas e cheias de swing da Blitz fizeram com que a banda se transformasse num fenômeno musical nos anos 80. Era uma verdadeira febre, todo mundo cantava junto. As canções da Blitz traziam uma nova linguagem. Eram meio cantadas, meio faladas. Evandro Mesquita cantava e dialogava com as backingvocals e o grupo tinha uma performance teatral no palco. Suas apresentações eram músico-teatrais.A Blitz era presença constante nas rádios e também nos programas de televisão. Todo mundo adorava a irreverência, o modo divertido com que eles se apresentavam. O ritmo dançante das músicas contagiou toda uma geração.Os clipes musicais, muito comuns na década de 1980, ajudaram a popularizar a banda. E assim como as músicas, os clipes também eram irreverentes, leves e bem-humorados. Bem ao estilo Blitz de ser.Além das canções irreverentes que faziam muito sucesso com os jovens da época, as meninas adoravam Evandro Mesquita, o galã da Blitz. Enquanto as meninas suspiravam por Evandro Mesquita, os rapazes ficavam de olho nas backingvocals, Fernanda Abreu e Marcia Bulcão.


No ano de 1984, os fãs da Blitz puderam conferir o segundo trabalho do grupo: o LP "Radioatividade". Duas músicas estouraram: "A Dois Passos do Paraíso" e "Weekend". Depois, outras duas canções tocaram bastante: "Betty Frígida" e "Biquíni de Bolinha Amarelinha". Em 23 de março o grupo participa do especial infantil Plunct, Plact, Zuuum... 2, da Rede Globo, onde também interpretaram uma nova faixa, "A Verdadeira História de Adão e Eva", incluída na trilha sonora do programa. Em 7 de julho o grupo realiza seu show de maior repercussão na Praça da Apoteose, que arrastou 30 mil pessoas. Em 14 de setembro a banda estrela seu próprio especial na Rede GloboBlitz contra o Gênio do Mal, misturando dramaturgia e musical. Logo após é lançado o novo single, "Egotrip". A banda fazia muitos shows e lotava os locais onde se apresentava. Eles tinham pouco tempo de carreira, mas já tinham conquistado o sucesso e o reconhecimento do público.

Terceiro disco e fim da Banda


O excesso de shows no Brasil e no exterior fez com que os integrantes da Blitz não tirassem férias desde 1982, porém o cansaço não impediu que em 1985 eles gravassem o terceiro álbum, BLITZ 3, que foi liberado em 15 de dezembro, tendo três formatos com capas diferentes, produzidas pela empresa de design A Bela Arte. O sucesso da Blitz com os jovens nos anos 80 fez com que eles fossem convidados para participarem da primeira edição do Rock in Rio, em 1985. A apresentação foi inesquecível. Sucesso absoluto. Foram duas apresentações da primeira edição do Rock in Rio – 13 de janeiro, para um público de 110 mil pessoas, e 20 de janeiro, para 200 mil pessoas. Logo após, "Eugênio" e "Louca Paixão" foram lançados como segundo e terceiro singles do álbum, respectivamente. A superexposição e a demanda exagerada de trabalho gerou conflitos internos e os integrantes entenderam que era hora de dar um hiato nos trabalhos da banda, anunciando que trabalho seguinte, intitulado O Último da Blitz, seria o último. No entanto, o álbum nunca chegou a ser gravado, uma vez que Ricardo e Márcia deixaram a banda no final de 1985 e, em 3 de março de 1986, a BLITZ anunciou sua separação oficial. Os fãs ficaram inconformados com o fim da banda.


Nova Formação e Novos Discos

A Blitz voltou a se reunir e a se separar na década de 1990. Mas, a formação original já tinha se dissolvido. Em 1990, saia o álbum "Todas as Aventuras da Blitz", a primeira coletânea da banda. Quatro anos depois, os integrantes da Blitz se reuniam novamente, com exceção de Fernanda Abreu, que foi substituída pela Hannah Lima. Nos anos de 1994 e 1995, a banda fez uma turnê pelo Brasil. Desse encontro saiu o álbum "Ao Vivo", em 1994.


Ainda e1994 teve sua música "Mais uma de amor (geme geme)" como tema da novela “A Viagem”, da personagem interpretada por Fernanda Rodrigues. Três anos se passaram e a Blitz gravou o álbum "Línguas". Na sequência, saiu "Blitz 2000 Últimas Notícias" em 1999.


Em 2006 a banda se reúne novamente e lançou os álbuns "Blitz com Vida", de 2006, "Blitz – Ao Vivo e a Cores" em 2007 e "Eskute Blitz", mas o único membro remanescente da banda é Evandro Mesquita. Em 2017, seu álbum “Aventuras II foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Rock ou Alternativo em Língua Portuguesa.


Hoje, a Blitz é formada pelos seguintes músicos: Evandro Mesquita (vocal, guitarra e violão), Billy (teclados), Juba (bateria), Rogério Meanda (guitarra), Cláudia Niemeyer (baixo), Andrea Coutinho (backing vocal) e Nicole Cyrne (backing vocal). Antenados com a modernidade, o caldeirão Blitz continua fervendo com o Rock, o Pop, o Reggae, o Blues, o Eletrônico, as baladas de gaita e violão, as letras bem-sacadas, as guitarras Swingadas, o canto falado, as respostas das meninas, enfim, o típico bom-humor que sempre foi a marca de Mesquita & Cia. Atividade total e muitos shows Brasil afora, com a Tour que nunca tem fim. “Enquanto houver bambu tem flecha”.

Angélica entrevista Evandro e a Blitz no programa VideoGame

Em julho de 2008 a Banda ganhou uma biografia que foi tema da matéria abaixo:


Ícone dos anos 80, banda Blitz ganha biografia ilustrada em novembro


Livro escrito pelo jornalista Rodrigo Rodrigues sai pela editora Ediouro.Grupo que revelou Fernanda Abreu foi pioneiro do rock nacional há duas décadas. 


A formação atual da banda Blitz, em foto de 2006. Alguma semelhança
com o Cansei de Ser Sexy?

Eles viraram revista em quadrinhos, álbum de figurinhas e serviram de inspiração para o roteiro da cultuada série “Armação Ilimitada”. Não só venderam um milhão de álbuns como também emplacaram jargões tirados das letras de suas músicas, como “ok, você venceu, batata frita”. Tudo isso numa época em que nem se falava em internet. Das reuniões na praia aos shows performáticos no Circo Voador, sete amigos - Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e Márcia Bulcão (vocais), mais Ricardo Barreto (guitarra), Billy Forghieri (teclados), Antônio Pedro (baixo) e Lobão (bateria) – fizeram da Blitz um dos maiores fenômenos pop do Brasil nos anos 80 com seu new-wave bem-humorado. 

A banda - que está na ativa até hoje, mas com outra formação, e até lançou um CD e um DVD ao vivo no ano passado - ganhará em novembro sua primeira biografia, "As aventuras da Blitz". Escrita pelo jornalista Rodrigo Rodrigues, apresentador do programa “Vitrine”, da TV Cultura, a obra será lançada pela Ediouro em forma de almanaque ilustrado, com fotos antigas e objetos de arquivo pessoal dos músicos, como as credenciais de quando foram à União Soviética representar o Brasil em um encontro de jovens. Além da parte visual caprichada, o livro está recheado de boas histórias e raridades, como trechos da primeira resenha sobre a banda, publicada na revista “Pipoca Moderna” e assinada por ninguém menos do que Paulo Ricardo muito antes do RPM surgir. 

“Foi um lance espontâneo”, diz o autor. “Tinha muita gente bacana rodando pelo Rio naquela época, e acho até que foi a última safra dos cariocas dessa espécie. A praia nos anos 80 era um local muito fértil, não era só a galera querendo mostrar os corpos esculpidos na academia, era um caldeirão cultural. O Circo Voador foi montado pela primeira vez ali, entre Copacabana e Ipanema. A Blitz foi a banda que inaugurou o que ficou conhecido como Rock Brasil dos anos 80, e ninguém tinha contado essa história ainda.”
 

Show da Blitz no Circo Voador em 1982.
Para o jornalista, a banda - que criou hits como "Você não soube me amar" e "A dois passos do paraíso" - é responsável por ter aberto caminho para todas as outras que vieram depois. “Tanto que, na época em que estouraram, as gravadoras procuravam uma nova Blitz, e isso detonou uma corrida em busca de grupos com aquela configuração. No final dos anos 70 o rock nacional era meio mal resolvido, não se sabia para onde ele iria, e qual seria a música dos jovens na década seguinte. Já estava rolando uma cena com grupos tipo a Gang 90, mas a primeirona mesmo foi a Blitz.”

Rodrigues conheceu os músicos há 10 anos, quando produzia um programa na faculdade de jornalismo no Rio de Janeiro. “Li uma nota dizendo que a Blitz ia fazer um show de fim de ano. Fui procurar os integrantes e fiz uma matéria sobre o assunto. Depois o empresário me convidou para viajar com a banda para fazer um “Makingoff da turnê”, conta o biógrafo, que passou um ano inteiro em um ônibus com a Blitz. “Fomos para vários lugares. As filmagens não deram em nada, mas me aproximei do Evandro, do Billy e do Juba.”
 

A primeira lembrança que o autor guarda do grupo, no entanto, é muito mais antiga. “Foi o primeiro show de rock da minha vida. Eu tinha oito anos. A apresentação rolou na Praça da Apoteose em 1984. A galera do meu prédio se reuniu e foi junto, tinha umas 20 ou 30 pessoas na turma, os mais velhos levaram a molecada”, diz Rodrigues, que morava perto da gravadora EMI, no bairro de Botafogo, e ficava esperando encontrar seus ídolos por ali. O apelo da Blitz com o público infantil, aliás, era tanto que a banda chegou a fazer sessões duplas no Canecão, com um show para adultos e uma matinê para os menores de idade.
 

Fernanda Abreu e Evandro Mesquita no Canecão, no Rio, em 1983.
A dimensão do grupo fica explícita em um depoimento do empresário Roberto Medina, criador do Rock in Rio. Ao pensar na estreia do festival, em 1985, o nome nacional com maior destaque seria a Blitz. “Eles foram os únicos a ter um grande cenário, com um carro no palco e tudo mais”, reforça Rodrigues. O autor entrevistou também os músicos Frejat e Charles Gavin, além de produtores como Liminha e ainda Cléver Pereira, o primeiro a tocar uma música da Blitz no rádio. “Fui caçando informação onde podia”, brinca. 

A praga de Lobão

Mas isso não impediu que três membros originais da banda discordassem da ideia do livro. Antônio Pedro e o casal Ricardo Barreto e Márcia Bulcão não quiseram dar entrevista. Isso porque, quando a Blitz se separou pela segunda vez, em 1997 (a primeira havia sido em 1986), o trio entrou na Justiça pelo direito do nome, mas quem ganhou foi Evandro Mesquita, que começou a carreira no grupo teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone” e formou o grupo com a cantora Fernanda Abreu. Já Lobão, que deixou a Blitz no auge porque o som estava ficando “comercial demais”, não guarda rancores, segundo o autor. 

“Ele é uma figura importantíssima. Foi Lobão quem deu o nome pra banda e era ele quem cedia o local onde os músicos ensaiavam. Ele achou que a banda estava infantiloide e rogou uma praga dizendo que a Blitz ia acabar tocando para o Papai Noel no Maracanã”, conta. Pegou: o grupo tocou mesmo para o bom velhinho em um evento naquele estádio em 1982. “No fim das contas foi bom, porque o sonho do Evandro era fazer um gol no Maracanã. Os seguranças ficaram correndo atrás dele, tinha até uns caras vestidos de urso perseguindo, mas ele conseguiu.”
 

“O Lobão queria que a Blitz tocasse músicas dele”, continua o autor. “Aquele cargo de apenas baterista de uma banda não cabia muito. Tem até uma história de que o Evandro teria dito que se o Lobão quisesse ele poderia ser o George Harrison [guitarrista dos Beatles morto em 2001], mas ele não quis, e acabou pulando fora.” Depois que o músico deixou a banda, o teste para assumir as baquetas na Blitz era tocar o hit “Geme geme”. A levada era complicada, e teve muito baterista que emperrou. Acabou ganhando o Juba, que entrou na banda sob a condição de usar boné, porque era careca e Fernanda Abreu o achava “muito feio”.
 


Material compilado do blog:

e dos sites:

além do post:
- http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL644121-7085,00-ICONE+DOS+ANOS+BANDA+BLITZ+GANHA+BIOGRAFIA+ILUSTRADA+EM+NOVEMBRO.html

Editados e revisados por Jorge Luis, colaborador do Planeta Marvel / DC.