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Planeta Resenha Marvel: Demolidor de Mark Waid - Uma volta às clássicas HQs

Recentemente terminei de ler o recém-lançado (aqui no Brasil) encadernado que inaugura a fase de Mark Waid à frente do título do Demolidor. Já de início quero dizer que a experiência de leitura foi das mais prazerosas e positivas. Tanto que me vi motivado à enquadrar o encadernado como dica de leitura aqui no Blog. Com o mínimo de "spoilers" possível, passarei minhas impressões sobre essa fase do personagem nas mãos deste grande escritor (em minha opinião) chamado Mark Waid!!


O Demolidor foi sem dúvida nenhuma um dos personagens que mais sofreu o impacto do novo modo de se fazer histórias em quadrinhos que tomou conta de todos os escritores a partir da Era Moderna das HQs nos anos 80. Histórias como Batman - O Cavaleiro da Trevas de Frank Miller, Watchmen, V for Vendetta de Alan Moore, Sandman de Neil Gaiman entre outras, deram o tom à um novo modo de se fazer quadrinhos. Histórias mais sombrias e violentas, nas quais a miséria humana era dissecada até o seu último grau eram cada vez mais comuns. Desde então temos vivido um período de grandes e memoráveis histórias em paralelo, no entanto à outras tantas que poderíamos classificar como medíocres ao simplesmente tentarem reproduzir a fórmula dos escritores mencionados acima. Eu poderia dizer que o Demolidor foi um dos heróis sacrificado em holocausto à essa nova forma de se fazer quadrinhos. Histórias como "A Queda de Murdock", "Demolidor - O Homem Sem Medo", "Terra das Sombras" dentre várias outras lançaram o personagem à um inferno pessoal no qual sempre após uma queda e subsequente redenção, o herói era novamente jogado em outro purgatório.


Por isso que a chegada de Mark Waid ao comando do personagem foi recebida com muita expectativa. Experiente escritor com diversas obras importantes em seu currículo, Waid abre uma nova porta e contextualiza o Demolidor sob um novo e mais positivo prisma. Qualquer outro escritor poderia errar a mão ao fazer isso, jogando o personagem em um "mar" de clichês. Waid, no entanto consegue fazê-lo com maestria ao reintroduzir sutis elementos clássicos da mitologia do herói. A cegueira de Matt Murdock, bem como sua carreira de advogado voltam a ter espaço importante na história. Toda dualidade e estranheza que no início nos causava o fato de um cego ser super-herói e ainda por cima ser advogado estão de volta. A questão da cegueira é brilhantemente explorada com novas soluções gráficas introduzidas pelos desenhistas Paolo Rivera e Marco Martin. Os artistas tentam passar ao leitor como é ter seus sentidos aguçados (olfato, paladar e audição) e enxergar o mundo através de um radar no lugar da visão. Abaixo é possível se ter uma amostra do que digo.


Além da vida profissional e de sua relação com a cegueira, outro ponto que volta a ter destaque é a amizade de Matt com Foggy Nelson (seu sócio em um escritório de advocacia). Tudo isso junto e amarrado com bons diálogos fazem com que você sinta aquela sensação de estar lendo uma história clássica. Essa sensação aumenta diante dos desenhos, que trazem aquele típico traço visto em histórias antigas, mais comuns na Era de Prata dos Quadrinhos nos anos 60.


Mark Waid não desconsidera o angustiante passado do Demolidor, porém Matt Murdock resolve colocar tudo de ruim que lhe aconteceu em perspectiva. Sua personalidade está mais leve e até um pouco brincalhona, porém Waid não caiu na armadilha de fazer isso deixando o personagem inconsciente disso. Mesmo Matt admite para Foggy que pode estar vivendo numa espécie de "negação" frente ao seu passado de dor, ao adotar essa perspectiva mais positiva da vida, o que na verdade preocupa seu sócio.


Concluindo... A nova fase do Demolidor é boa não por buscar inovações, mas sim por fazer uso adequado de elementos clássicos. Há muito sou fã de Mark Waid, um sujeito humilde e consciente do mundo ao seu redor. Sua nova fase à frente do Demolidor é um sopro de ar fresco e um raio de sol nas obscuras câmaras nas quais o personagem tem vivido. Para nós é a esperança de que ideias simples e elementos clássicos dos heróis possam sim ser trabalhados e tornarem-se um grande sucesso. Para quem não sabe essa fase foi vencedora do Prêmio Eisner (o Oscar dos Quadrinhos) nas categorias de "Melhor Série" e "Melhor Escritor" em sua edição de 2012. Peço desculpas pelo trocadilho mas, assim como o Demolidor é um "Homem Sem Medo", qualquer um pode ser um "Leitor Sem Medo" diante desta história!


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