Recentemente terminei de ler o recém-lançado (aqui no
Brasil) encadernado que inaugura a fase de Mark Waid à frente do título do
Demolidor. Já de início quero dizer que a experiência de leitura foi das mais
prazerosas e positivas. Tanto que me vi motivado à enquadrar o encadernado como
dica de leitura aqui no Blog. Com o mínimo de "spoilers" possível,
passarei minhas impressões sobre essa fase do personagem nas mãos deste grande
escritor (em minha opinião) chamado Mark Waid!!


Por isso que a chegada de Mark Waid ao comando do
personagem foi recebida com muita expectativa. Experiente escritor com diversas
obras importantes em seu currículo, Waid abre uma nova porta e contextualiza o
Demolidor sob um novo e mais positivo prisma. Qualquer outro escritor poderia
errar a mão ao fazer isso, jogando o personagem em um "mar" de
clichês. Waid, no entanto consegue fazê-lo com maestria ao reintroduzir sutis
elementos clássicos da mitologia do herói. A cegueira de Matt Murdock, bem como
sua carreira de advogado voltam a ter espaço importante na história. Toda
dualidade e estranheza que no início nos causava o fato de um cego ser
super-herói e ainda por cima ser advogado estão de volta. A questão da cegueira
é brilhantemente explorada com novas soluções gráficas introduzidas pelos
desenhistas Paolo Rivera e Marco Martin. Os artistas tentam passar ao leitor
como é ter seus sentidos aguçados (olfato, paladar e audição) e enxergar o
mundo através de um radar no lugar da visão. Abaixo é possível se ter uma
amostra do que digo.

Além da vida profissional e de sua relação com a cegueira,
outro ponto que volta a ter destaque é a amizade de Matt com Foggy Nelson (seu
sócio em um escritório de advocacia). Tudo isso junto e amarrado com bons
diálogos fazem com que você sinta aquela sensação de estar lendo uma história
clássica. Essa sensação aumenta diante dos desenhos, que trazem aquele típico
traço visto em histórias antigas, mais comuns na Era de Prata dos Quadrinhos
nos anos 60.

Mark Waid não desconsidera o angustiante passado do
Demolidor, porém Matt Murdock resolve colocar tudo de ruim que lhe aconteceu em perspectiva. Sua
personalidade está mais leve e até um pouco brincalhona, porém Waid não caiu na
armadilha de fazer isso deixando o personagem inconsciente disso. Mesmo Matt
admite para Foggy que pode estar vivendo numa espécie de "negação"
frente ao seu passado de dor, ao adotar essa perspectiva mais positiva da vida,
o que na verdade preocupa seu sócio.

Concluindo... A nova fase do Demolidor é boa não por buscar
inovações, mas sim por fazer uso adequado de elementos clássicos. Há muito sou
fã de Mark Waid, um sujeito humilde e consciente do mundo ao seu redor. Sua
nova fase à frente do Demolidor é um sopro de ar fresco e um raio de sol nas
obscuras câmaras nas quais o personagem tem vivido. Para nós é a esperança de
que ideias simples e elementos clássicos dos heróis possam sim ser trabalhados
e tornarem-se um grande sucesso. Para quem não sabe essa fase foi vencedora do
Prêmio Eisner (o Oscar dos Quadrinhos) nas categorias de "Melhor
Série" e "Melhor Escritor" em sua edição de 2012. Peço desculpas
pelo trocadilho mas, assim como o Demolidor é um "Homem Sem Medo",
qualquer um pode ser um "Leitor Sem Medo" diante desta história!
Fonte:
Marcelo - Antologias
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