A editora Panini
escolheu o mês de julho para publicar as edições Zero das revistas da DC
Comics. Após um ano da audaciosa reformulação de toda sua linha editorial, a
casa de Batman, Superman e Cia. durante um mês zerou todas as publicações,
lançando especiais com histórias fora da cronologia.
Com
reformulação de toda a linha editorial da DC, os chamados Novos 52, o escritor
Geoff Johns resolveu trazer de volta também o Capitão Marvel, porém, dessa vez
mudando o nome dele de vez para Shazam. Essa história é a reunião de várias
histórias curtas, secundárias, publicadas na originalmente na versão americana
da revista.
O escritor não mudou
tanto a gênese do herói, ele continua sendo órfão, o mago e a palavra mágica
foram mantidos, mas a principal alteração foi a personalidade de Billy Batson,
que já não é mais aquele bom menino da década de 40. Na segunda década do
século XXI, Batson é um adolescente revoltado, meio malandro e cheio de marra,
cujo maior objetivo é sair do orfanato, apesar de ainda faltarem três anos para
que ele atinja a maioridade.
O
garoto agora cresceu em relação ao original, e também tem suas ambições, na
cena em que ele ganha os poderes argumenta com mago, dizendo que ninguém é
puro, ninguém é inocente, dando a entender que se ele não é digno dos poderes,
talvez ninguém seja.
A
trama também ganha um ar de saga, de conspiração, introduzindo os vilões Dr.
Silvana e Adão Negro (o nêmesis do Capitão Marvel em todas as versões
anteriores), mas com um problema, a história não termina, fica com final em
aberto, e mais uma vez eu digo que acredito que essa seja uma estratégia para
preparar o terreno para a próxima fase do universo DC.
Silvana foi o personagem
que mais mudou, de cientista maluco e empresário, agora ganhou uma motivação
diferente para sua vilania, algo que até o humanizou um pouco. Ao terminar de
ler a história percebe-se que a maior inspiração dessa reformulação foi
Miracleman, um verdadeiro plágio do Capitão Marvel, criado na Inglaterra nos
anos 1950, que foi repaginado por Alan Moore nos anos 1980, publicado no Brasil
no começo dos anos 1990.
O
desenhista Gary Frank praticamente copia o estilo de Gary Leach, artista inglês
que desenhou o início de Miracleman, usando até mesmo um efeito de raios nos
personagens para demonstrar que o poder flui através deles. Confesso que nunca
fui fã da arte de Gary Frank, que eu acho inexpressiva, mas aqui achei muito boa,
realmente me surpreendendo.
O
visual dos personagens foi praticamente mantido, salvo pelo Dr. Silvana, que
ganhou uma aparência estilo Lex Luthor. Já o design de Adão Negro e Shazam
ficou metalizado, meio armadura, mas mantendo o aspecto clássico deles, aliás,
esse estilo armadura é a grande marca da reestilização proposta por Jim Lee à
DC, que redesenhou os principais heróis da editora, dando a impressão que o
artista não sabia o que fazer e deixou todo mundo com a mesma cara.
Para completar a
publicação há três histórias: uma de três páginas mostrando o mago Shazam e uma
personagem misteriosa, que não revela praticamente nada, e outra de uma página
apenas, apresentando o personagem Questão, muito superficialmente em apenas
seis quadros, e a história do Capitão Átomo, que apesar de ser a origem dele,
também não esclarece muita coisa, apenas mostra os fatos que não foram exibidos
na série mensal. O desenhista Freddie Williams II é muito bom, mas aqui nem sua
arte salva uma história fraca, feita as pressas, praticamente sem um argumento
sustentável.
Criado
por Bill Parker e pelo desenhista C. C. Beck em 1939 para a editora Fawcett, o
Capitão Marvel foi um dos heróis mais populares da década de 40 e divulgou a
célebre palavra mágica Shazam por todos os continentes, seja através dos
quadrinhos, ou do seriado exibido nos cinemas da época.
Um pouco de história:
Na versão original o jovem órfão Billy Batson é escolhido pelo mago Shazam para ser o campeão da humanidade, recebendo os dons dos deuses e heróis antigos ao pronunciar o nome do mágico. Dessa forma com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a invulnerabilidade de Aquiles, o poder de Zeus, o vigor de Atlas e a velocidade de Mercúrio, o garoto se transformava no mais poderoso dos mortais, o Capitão Marvel que, igual a vários outros personagens da época, residia na cidade fictícia Fawcett City.
Na versão original o jovem órfão Billy Batson é escolhido pelo mago Shazam para ser o campeão da humanidade, recebendo os dons dos deuses e heróis antigos ao pronunciar o nome do mágico. Dessa forma com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a invulnerabilidade de Aquiles, o poder de Zeus, o vigor de Atlas e a velocidade de Mercúrio, o garoto se transformava no mais poderoso dos mortais, o Capitão Marvel que, igual a vários outros personagens da época, residia na cidade fictícia Fawcett City.
Apesar dos poderes
adquiridos ao falar a palavra mágica, em sua essência o personagem continuava
sendo o jovem Batson, fato que talvez tenha gerado uma empatia muito grande
dele com os leitores, que nos anos 1940 eram predominantemente crianças, e
causou a divisão da preferência dos consumidores entre ele e o primeiro
super-herói dos quadrinhos, Superman, lançado um ano antes pela editora
National, que hoje é conhecida como DC Comics.
O
sucesso de Shazam foi tão grande que levou a National executar um plano digno
de um super-vilão: processar a Fawcet por plágio alegando que o Capitão Marvel
era uma cópia do Superman. Após anos de batalhas nos tribunais Marvel perdeu
sua maior luta e, em 1953, deixou de ser publicado. Alguns anos depois, com a
falência da Fawcett, a DC Comics comprou os direitos de todos os personagens da
editora, e integrou o Capitão ao universo DC, mas sem muito êxito.
Foram várias as
tentativas de relançar o personagem, de modernizá-lo e realmente integrá-lo ao
universo DC, com vários autores de sucesso como Roy Thomas, Jerry Ordway, Jeff
Smith, entre outros, mas talvez o que mais os leitores se recordem seja a fase
cômica da Liga da Justiça, em que o jeito ingênuo do herói o tornou alvo das
piadas e perseguições do Lanterna Verde Guy Gardner, que lhe deu o apelido de
Capitão Fraldinha, o que realmente é muito pouco para aquele que foi o primeiro
super-herói a se adaptado para o cinema, em 1941.
Para
finalizar: de tudo que eu li dos Novos 52 esse novo Shazam foi o que eu
esperava menos, e no final me surpreendeu muito, se a série continuar nesse
ritmo tem tudo pra desbancar até outros títulos da casa, inclusive o Superman e
a Liga da Justiça. Vale comprar a revista por essa história!
Fonte: Impulso HQ
0 Comentários