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O Vilão – parte 2

A simbologia marcava o Doutor Destino da mesma forma que sua máscara e capuz evocavam a imagem da morte. Porém, para o próprio personagem, a palavra que mais o assombrava era perfeccionismo. Palavra muitas vezes fatal para qualquer plano de vilão, pois é aí que reside a falha onde o herói pode se safar.
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Mas, Destino chegava ao extremo. Não é um mero megalomaníaco. Não bastava conquistar o mundo, se o mundo (a seu ver) não era perfeito. O negócio era ainda mais intenso do que conquistá-lo e torná-lo perfeito. Para Destino, um plano perfeito era executar essas duas ações em um só processo.

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Mas, o perfeccionismo, esse poderoso inimigo de Victor Von Doom, sempre o acompanhou das mais variadas formas. Desde a egocêntrica até a mais dramática. Ser o segundo em inteligência não era aceitável e Reed Richards se tornava um obstáculo quase que existencial nesse sentido. Porém, a maior marca da crueldade em conquistar o distante perfeccionismo estava mais próxima (e mais física) dele do que se imaginava.
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Da época em que era um mero estudante (nunca, nunca, nunca mencionem a palavra “mero” perto de Destino), Von Doom sofreu um acidente na explosão de um maquinário que ele mesmo criou. Até os dias de hoje, não se sabe a real extensão dos danos físicos que essa explosão lhe causou (na verdade, há apenas algumas interpretações muito particulares dos autores que tiveram a oportunidade de trabalhar com o personagem).
A narrativa da história diz que seu rosto ficou horrivelmente deformado. “Horrivelmente” a ponto de nunca se ter coragem de mostrar tal deformidade ao leitor. Até mesmo os heróis que testemunhavam seu rosto por trás da máscara, até o mais corajoso deles, ficava chocado (por vezes, demonstrava até piedade) diante da dramática situação de seu antagonista.
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Independente das interpretações de leitores, autores ou dos próprios personagens, cabe lembrar que, como dito no início, a simbologia marcava o vilão. E podemos afirmar que marcou o seu rosto também. Tendo objetivos e metodologias tão perfeccionistas, era natural que beleza física também fosse um quesito importante para que fizesse o vilão, digamos, se sentir bem.
Dessa forma, há narrativas que interpretam o que aconteceu com seu rosto… em um mero ferimento (já avisei para não citarem a palavra “mero”?). Uma cicatriz. Sim, pois Victor Von Doom, mestre do (inalcançável) perfeccionismo, com um rosto que consideraria belo e perfeito, jamais poderia admitir que existisse uma cicatriz nele. Tal afronta, mesmo que fosse ele mesmo penalizado, mereceria ser trancafiado, escondido do mundo por toda a existência do vilão. Algo que o fez de forma que se tornou notória através de sua máscara de ferro.
Mesmo imaginando-se que a sequela física de Destino seja uma simples (não para ele) cicatriz, este é um segredo guardado dos leitores por décadas, desde sua criação. Talvez uma das mitologias mais sagradas do Universo Marvel. Tanto sim que, mesmo diante de várias interpretações e reformulações, ainda é um elemento que continua em sua aura de mistério e, de certo ponto de vista, quase um elemento de horror dada a carga dramática que evoca.
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O personagem foi criado meio que de supetão, tanto como a maioria dos personagens da Marvel Comics. Mas, a explicação (ou falta dela) do porque de sua máscara de ferro, e do que não se podia ver que ela escondia, foi um ponto positivo na construção do vilão. Prova de que ninguém, até os dias de hoje, pôde chegar perto o suficiente de Destino para tentar reverter o que tanto marca sua vida perfeccionista. Prova de que sua fúria pode se estender muito além de seu próprio reino.
Destino odeia. Tendo na outra ponta de seu ódio Reed Richards. O mesmo Reed Richards que, apesar do incidente que deu poderes a ele e os demais integrantes do Quarteto Fantástico, tem o perfeccionismo de uma vida em família ao lado de seus integrantes. E o que é mais aterrorizante para destino: uma família simples, com problemas que toda família enfrenta… e supera (marca registrada da Marvel para aproximar seus personagens de ficção da realidade dos leitores).
A simplicidade da vida de Richards incomoda Destino muito mais do que uma suposta superioridade no quesito gênio. Mesmo porque, mesmo que seja monarca de um reino e mesmo que fosse mais além, tornando o mundo a sua volta perfeito, ainda assim, a prova que o faz lembrar que nunca conquistará o perfeccionismo está no símbolo de seu fracasso (em uma vida onde não deveria haver nenhum). Está marcado para sempre, e trancafiado junto com sua alma por uma barreira de ferro em seu próprio rosto.
Por Marcos Dark

Fonte: Impulso HQ

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