É uma fase nova para o falastrão
mercenário mais querido da Marvel, com nova dupla de roteiristas, novo estilo
de humor e nova “casa” nas publicações da Panini. Agora, Deadpool que foi parar
na X-Men Extra desde Janeiro com Nova Marvel está com uma pegada muito mais
negra e desmedida (isso claro, não impediu de sua revista especial sem
periodicidade continuar a sair por aí). E se o primeiro arco já assustou muita
gente ao tocar num delicado tema com ex-presidentes zumbis, imagina agora que
ele vai tratar diretamente com um diabo em pessoa?

O demônio Vetis se encontra com o
Deadpool e fecha um contrato com o mesmo. Em troca de ser o rei da nova mídia
videolaser (aquela que nunca deu certo), ele precisa fazer com que o Homem de
Ferro beba e use sua armadura por um dia. Fechado o contrato, Deadpool vai até
a mansão de Stark e encontra já um Tony bem deprimido. Wade decide não seguir o
seu plano a risca, acaba animando o astral de Tony e quando uma emergência
surge, ele o noucateia com uma garrafa. Assim, o próprio Wilson veste a
armadura, chapa o coco de bebida e sai para salvar o dia (não de um jeito muito
esperado, mas serve!). E é assim que ele acaba enganando Vetis, quando cumpriu
o acordo ao pé da letra e ele foi o homem de ferro bêbado daquele dia.

E no final deste prólogo, descobrimos
porque mal ouvimos falar de Deadpool nesta época. O amigão Cable levou para uma
longa viagem no tempo que só o fez surgir de novo nos anos 90, tá falado?
Então, nossa história retoma o tempo
atual, com Deadpool vivendo um problemão. Depois dos eventos dos zumbis
presidentes, a agente Preston ficou presa em seu corpo (é, mais uma vozinha pra
acompanhar). A coisa tem ficado complicada já que uma visita a família da
Agente da SHIELD não saiu lá muito bem como era de se esperar. Pra piorar,
Vetis aparece depois de anos e faz a revelação de quem ele era o diabo que fez
o pacto com o aspirante a necromante Michael. E ele vai requisitar a alma do
sujeito agora, e isso pode acabar com a única chance de tirar a agente Preston
do corpo do Deadpool.
Todavia, Vetis tem uma nova proposta
que pode interessar ao mercenário. Em troca de livrar a alma de Michael,
Deadpool terá que matar outros quatro humanos que tiveram seus desejos
atendidos em troca da alma. São agora seres com superpoderes que Vetis
sabiamente concedeu já esperando tê-los de volta quando morressem. E como ele
não poderia mata-los, seria Deadpool a bola da vez. E porque não?
A primeira vítima é um bandido
mequetrefe que pediu para ser invulnerável. E se tiros e explosões não
adiantam, não tem problema – Deadpool cimenta a cara do sujeito o sufocando sem
ar. O segundo da lista é um salva-vidas capaz de respirar debaixo d’água e
falar com a vida marinha. É um poder muito bucha? Então, reclame com a
concorrência. Já Deadpool dá cabo dele e ainda o usa como isca para acalmar os
tubarões que o mesmo resolveu convocar.
E em meio a isso tudo, alguns fatos
vale a pena tomar nota. Uma ruiva acompanhada de uma gangue misteriosa ataca
Wade Wilson sem muitas explicações para roubar seu sangue e parte dos órgãos
(como o rim) sabe-se lá pra quê. Já em outro momento, Wilson resolveu se
antecipar aos planos de Vetis e matou ele mesmo Michael. Você pergunta pra que?
Bom, qual o jeito mais fácil de avisar a Mephisto, o grandão do inferno, que
tem um outro diabinho com o olho bem gordo na Terra?
O terceiro da lista de Vetis é um
empresário mafioso com capacidade de prever o futuro próximo. Sendo assim, ele
contratou uma série de outros mercenários para se defender do Deadpool. Mas com
uma parceria não calculada com o Homem-Aranha Superior, o pobre homem não teve
muita chance. Pra fechar a encomenda, um transmorfo é a bola da vez. O
sujeitinho safado andava até se fingindo de Luke Cage para traçar a Jessica
Jones (e olha que o herói de aluguel nem desconfiava da intromissão do Pool
porque senão...). Quando descoberto, o transmorfo saiu pelas ruas se passando
por outros heróis e pedestres até que encontrou a sua sina fatídica. E quem faz
uma aparição breve aqui é o Demolidor (que está longe da Cozinha do Inferno, só
para confundir o mercenário tagarela).
Agora só faltava mais um pra lista
do Vetis, mas Deadpool já tinha dado cabo dele antes. O demônio não gostou
nadinha de ser mais uma vez trapaceado, então decidiu que ia contar apenas com
os quatro poderes que adquiriu para chutar a bunda de Wade Wilson de uma vez
por todas. E parece que o Mercenário se deu mal mesmo nessa. Vetis podia se
passar por qualquer herói ou vilão, prever os futuros ataques de Deadpool, era
invulnerável e até podia respirar debaixo d’água (não que esse último faça
diferença!).

E quem salvou o Deadpool dessa foi a
chegada providencial de Michael (agora de vestes brancas e nova atitude) na
batalha. Junto a ele estava Mephisto, que devolveu a alma para o necromante e
resolveu dar uma liçãozinha no diabrete. Assim, Vetis foi derrotado, as
almas dos quatro liberadas e o roomba limpou as cinzas demoníacas da cidade.
No fim, algumas repercussões
acabaram surgindo diretamente na vida de Deadpool. A presença da Agente Preston
na sua cabeça esta fazendo com que ele tenha acesso a memórias que antes nunca
ousara se lembrar. Já Michael envelheceu anos no Inferno, o que o deixou fulo
da vida com o Deadpool, mas garantiu um aprendizado maior de seus poderes
místicos. E o fantasma de Benjamin Franklin... bem, ele continua por aí
se divertindo com o mundo moderno.
Vou lhes ser sincero. Quando ouvi
uma ou outra coisa sobre essa nova fase do Deadpool, tremi nas bases. Muita
gente reclamou do que vinha depois do primeiro arco e como eu o achei meramente
razoável, temi que mais uma vez passaríamos por uma fase ruim (ou pior) como a
do Daniel Way ou Victor Gishler. Mas eu tenho me surpreendido positivamente.
Apesar de não ser mais aquele humor inteligente do Nicieza ou Kelly, há uma
pegada esdrúxula e bem baixa que remete ao comix original, o antigo quadrinho
independente. E isso até que combina bem com o personagem. Se você notar, aos
poucos, a metalinguagem vai ficando mais e mais oprimida em prol de um sarcasmo
cru com aquelas velhas referencias da cultura POP. Longe ainda dos áureos
tempos, não posso dizer que fiquei curioso pra ler mais dessa nova pegada com o
Mercenário Tagarela.
Essas edições equivalem aos números
5 a 7 de X-Men Extra. Posehn e Duggan estão acompanhados agora da arte de Mike
Hawthorne. Na parte do passado, quem assina é Scott Koblish.
Por Coveiro
Fonte: Universo Marvel 616
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