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Construir histórias que se interliguem com as de outros títulos – os famosos “tie-ins” – é uma tarefa complicada e raramente bem executada. Desta vez coube ao escritor canadense Jeff Lemire colocar o Arqueiro Verde no meio da saga Ano Zero do Batman, cuja história principal é desenvolvida mensalmente por Scott Snyder e Greg Capullo. Infelizmente, nem a capacidade criativa de Lemire foi suficiente para fazer de Green Arrow #25 um tie-in à altura dos últimos capítulos da saga principal, fazendo com que o escritor criasse uma história aquém do esperado.

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Desde o começo dos trabalhos desta nova equipe criativa no título os leitores observam uma constante ascensão na qualidade narrativa, conforme pode ser visto nas resenhas feitas pelo Pab para o Terra Zero nos últimos meses. Sendo assim, é importante deixar claro que a revista continua com um trabalho artístico tão impressionante quanto o que foi visto nas edições anteriores. Porém, ao ser obrigado a amarrar uma história em andamento a outra que nem faz parte de seu universo, Lemire faz algo que fica, no máximo, na média do resto da indústria de super-heróis. E isto não é lá grandes coisas…

Ficha Técnica:
Green Arrow #25
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Andrea Sorrentino
Cores: Marcelo Maiolo
Capa: Andrea Sorrentino

Como vem acontecendo com outros títulos conectados a este evento, Green Arrow #25 mostra Oliver começando sua transformação em herói ao mesmo tempo em que o Batman se instaura definitivamente como o primeiro vigilante mascarado do UDC. Em sua história, a revista mostra Oliver impedindo um ataque à sua mãe, Moira Queen, que estava em Gotham com Diggle bem no momento do blecaute provocado pelo Charada. A batalha é contra o vilão Mariposa (ainda em começo de carreira bandida), e acaba envolvendo o recém criado Batman com o “ainda-em-nascimento” Arqueiro Verde.

  

Ainda que seja bacana observar como cada um se comporta perante a mesma situação (e nesta parte Lemire consegue abrir um pouco de suas asas criativas), a história se resolve de um jeito clichê demais – o que é um problema especificamente de transformar a revista num tie-in, e não do escritor; é sempre bom deixar isso bem claro. O mais legal da revista é o gancho que o autor deixa para o que vem a seguir no universo do Arqueiro, tanto na última página da história principal como na história backup. Infelizmente, nada disso tem relação com o Ano Zero do Batman.

No geral, para fãs do Arqueiro e pessoas sedentas por mais conexões do Ano Zero com o Universo DC, Green Arrow #25 é satisfatória, mas nada além disso. Quem esperava mais do título como um tie-in, é melhor esquecer esta parte e tomar a revista como parte do que Lemire vem bolando para o personagem, o que é muito mais valioso e agradável.

Referências e Anotações (Por número de página):
12-Ainda com seu próprio uniforme em formação, Sorrentino e Maiolo fazem questão de mostrar a roupa imperfeita e as luvas púrpura do Homem-Morcego;
17-A dinâmica aqui é bem interessante. Quadros verdes significam golpes do Arqueiro; quadros azuis significam golpes do Batman. Mais do que isso, o jogo de cores não serve apenas para identificar cada personagem; ele serve também para que o leitor entenda as motivações e sentimentos deles naquele momento. O azul do Batman é a lealdade dele para com aquela atividade justiceira fora-da-lei (“This is MY city!”, brada o vigilante); para Oliver, o verde ainda significa uma mistura de sua riqueza com a ousadia e a ambição de ser um salvador. Talvez esta nem tenha sido a motivação inicial do colorista Marcelo Maiolo, mas a teoria cabe muito bem aqui.

Fonte: Terra Zero