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Aquaman: O Retorno de um Rei pelas mãos de Geoff Johns

Qual é a melhor estratégia para trazer um personagem B (ou, no caso do personagem em questão, até C) para o panteão de seus principais heróis e, inclusive, colocá-lo em evidência na TV ou no cinema? Uma, certamente, é apresentar a abordagem correta (o que funcionou muito bem para o Homem de Ferro, nas telonas, em 2008); ou então, você pode dar esta missão para um dos melhores escritores da indústria dos quadrinhos: Geoff Johns. Foi esta a escolha da DC Comics para tirar do ostracismo um de seus mais clássicos personagens, o Aquaman!

aquaman 
Nascido na cidade de Detroit, em janeiro de 1973, Johns ficou conhecido por renovar séries como Sociedade da Justiça, Gavião Negro, Superman (em parceria com seu mentor, Richard Donner– sim, o diretor de Superman – O Filme), Flash e Lanterna Verde – neste último, aliás, em parceria com o desenhista brasileiro Ivan Reis. Johns assumiu por nada menos que 9 anos o posto de principal roteirista à frente de Green Lantern, transformando o Lanterna em um dos personagens mais vendidos da DC (perdendo apenas para o Batman em algumas ocasiões) e sendo responsável por sagas de grande sucesso como A Guerra dos Anéis (Sinestro Corps War), A Ira dos Lanternas Vermelhos (Rage of the Red Lanterns), A Noite Mais Densa (Blackest Night), O Dia Mais Claro(The Brightest Day) e A Ira do Primeiro Lanterna (The Wrath of the First Lantern). Ganhou prêmios de Melhor Escritor pelo seu trabalho em 2005, 2006, 2008, 2009 e 2010.
Johns e seu novo amigo

O DEFENSOR DOS MARES

Criado por Paul Norris e Mort Weisinger, em 1941, Aquaman fez sua estreia na HQ More Fun Comics #73 e estabeleceu-se como coadjuvante de algumas histórias de outros personagens. Depois, nos anos 1950, passou a ser protagonista de um título próprio, permitindo que muito de seu passado fosse revelado: ele é Arthur Curry, filho de Tom Curry e da atlante Atlanna. Nos anos 1960, tornou-se membro fundador da Liga da Justiça da América, participando da maioria das aventuras do grupo. Na década de 1980, porém, o personagem perdeu muito de sua força editorial e sempre que a DC tentava lançar um novo título, o mesmo era rapidamente cancelado por falta de vendas.
A elogiada fase sob a batuta de Peter David
Em agosto de 1994, o personagem ganhou um novo título e uma nova oportunidade pelas mãos do escritor Peter David (Hulk) e do desenhista Jim Calafiore (New Excalibur), que apresenta um novo visual para o herói – com barba, cabelos compridos e, além disso, sem a mão esquerda, substituida por um arpão. Esta fase foi tão elogiada pelos fãs, que Bruce Timm (criador das séries animadas da DC) decidiu usar este visual do herói no desenho da Liga da Justiça – com direito a um episódio em que ele perde a mão para salvar o filho.
Mas, como sabemos, o mercado dos comics é duro e, com a saída de David da série, o personagem voltou a cair. A DC, na tentativa de reintroduzir o personagem, ainda contratou autores de peso, sendo um deles Kurt Busiek (escritor da ótima série Superman: Identidade Secreta).
Partindo do conceito de que Arthur Curry estava morto, Buisek tentou mais uma vez reinventar o personagem em Aquaman: Sord of Atlantis – parte do selo 1 Ano Depois, que foi publicado após a saga Crise Infinita. Era um personagem novo, mais jovem e que possuía os mesmos poderes do Aquaman original. Mas a série não obteve o sucesso esperado entre os fãs.
A única exposição que Aquaman teve com o grande público neste período foram as vinhetas cômicas do canal por assinatura Cartoon Network (que são bem engraçadas por sinal), sendo lembrado apenas como o cara que fala com peixes e se envolve em situações inusitadas, o que não era muito positivo para a DC. Afinal, um dos seus mais clássicos personagens precisava de alguém de peso para que ele voltasse ao panteão dos grandes heróis e, claro, desse o retorno financeiro desejado.

O RETORNO DO REI


O Lanterna Negro Aquaman
O Lanterna Negro Aquaman
Podemos dizer que o primeiro contato de Johns com Aquaman foi durante a saga A Noite Mais Densa. Nesta saga, controlados pelo vilão Necron, todos os vilões e heróis mortos voltam como Lanternas Negros – para ser mais claro: zumbis – com o objetivo de controlar os espectros emocionais Ira, Compaixão, Força de Vontade, Avareza, Esperança, Medo e Amor.
Como Aquaman estava morto, ele volta então como um dos Lanternas Negros a serviço do vilão, arrancando corações para criar novos zumbis e aumentar a fileira de inimigos. Além disso, com seu poder telepático sobre a vida marinha, o Lanterna Negro Aquaman conseguia controlar animais mortos. Acredite, ver tubarões mortos e em decomposição emergirem do mar para devorar as pessoas sob o fantástico traço de Ivan Reis é de brilhar os olhos.
Com o fim de A Noite Mais Densa, inicia-se O Dia Mais Claro – que mostra o que acontece com os heróis e vilões renascidos após o fim da série. Vários escritores e desenhistas participaram do evento e cada um dos personagens ficou ao cargo de uma equipe criativa. Johns e Reis seguiram com a responsabilidade de criar o arco do herói atlante.
O Dia Mais Claro foi um evento de altos e baixos, mas o arco de histórias do Arthur Curry era de longe o melhor de todos. E então, vieram os Novos 52.
Já falamos sobre o reboot da DC para seus heróis aqui e aqui, e, aproveitando a numeração zerada dos títulos, a editora aproveitou o evento para que Aquaman voltasse a estrelar o seu com a certeza de retorno investindo no time que mais explodia nas vendas formado, óbvio, pela dupla dinâmica Geoff Johns e Ivan Reis (é sério, esses caras são uma mina de ouro!).
Pele quase invulnerável
Johns ficou no título por 2 anos e foi o suficiente para criar uma mitologia coesa para o personagem, além de acrescentar novos personagens e revelações sobre o passado de Arthur. Ao final desta fase, sob o comando do escritor, Aquaman volta a ser o Rei da Atlântida, descobre que o reino submarino já foi dividido em 7 reinos e suas dúvidas e preocupações tornam-no tão humano quanto eu e você.
Podemos dividir a fase de Johns em 4 arcos:
1º A TRINCHEIRA
Neste arco inicial, Johns começa a história brincando com o conceito atual do personagem para o público em geral (aquele do cara que só sabe falar com os peixes, lembra?) para depois partir para uma ameaça séria, quando uma trincheira submarina se rompe, liberando perigosas criaturas que seguem para a superfície em busca de alimento – neste caso, humanos. Reis faz um ótimo trabalho ao mostrar como esta ameaça é preocupante com seus painéis escuros misturados com o brilho azulado da pele das criaturas.
2º OS OUTROS
Aquaman e Os Outros
Johns passa a revelar mais do passado de Aquaman, sua relação com seu pai, com o Dr. Shin – um cientista que era amigo do pai de Arthur, mas que no fim, ao descobrir os poderes do garoto e suas origens atlantes, passa a usá-lo com interesses escusos, visando ganhar fama – e com um grupo de personagens chamados Os Outros – uma equipe de anti-heróis formada por Arthur no passado, enquanto ele buscava vingança pela morte do pai pelas mãos de seu maior inimigo: o Manta Negra.
Enquanto isso, no presente, Manta persegue e mata os membros remanescentes da equipe para roubar os artefatos atlantes.
3º O TRONO DE ATLANTIS
Atlantis ataca!!!
Em seu primeiro crossover com outro grande título da DC – Liga da Justiça, que também é escrito por Johns –, Arthur precisa escolher entre Atlantis e o mundo da superfície, enquanto, liderados por seu meio irmão Orm, os atlantes atacam Metropolis, Gotham e Boston, matando milhares de seres humanos com um gigantesco tsunami.
4º A MORTE DE UM REI
Após os desdobramentos da saga o Trono de Atlantis, Arthur luta para ganhar a confiança do povo aquático e da superfície, buscando a convivência pacífica entre os povos. Mas uma ameaça de um passado distante ressurge para relevar uma verdade horrível que pode ameaçar a confiança de Aquaman perante seu povo e todos que ele ama.
Em 2 anos e 4 fantásticos arcos, Johns conseguiu criar e fechar um círculo para o personagem, trazendo revelações que se estabelecerão por anos entre os fãs. Entre as qualidades de Johns, a que mais se destaca é o seu respeito pelo personagem. Cabe agora ao escritor Jeff Parker (Batman ’66) escolher um caminho que honre o que Johns até aqui realizou – e, pelo que tenho visto nas críticas das edições, ele está fazendo isso.

EM TEMPO

Aquaman tem dois grandes projetos que estão chegando em outras mídias!!!
O primeiro deles é a adaptação do arco Trono de Atlantis para animação e, pelo que podemos ver no trailer, teremos outra ótima animação da DC.
E recentemente, a Warner Bros anunciou o filme solo do personagem para 2018 – com Jason Momoa (o Kahl Drogo de Game of Thrones) no papel principal. O personagem também fará uma rápida participação em Batman v Superman: O Alvorecer da Justiça.

Por Fábio Rodrigues
Fonte: Mundo Blá

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