Qual é a melhor estratégia para
trazer um personagem B (ou, no caso do personagem em questão, até C) para o
panteão de seus principais heróis e, inclusive, colocá-lo em evidência na
TV ou no cinema? Uma, certamente, é apresentar a abordagem correta (o que funcionou
muito bem para o Homem de Ferro, nas telonas, em 2008); ou então, você pode dar esta missão
para um dos melhores escritores da indústria dos quadrinhos: Geoff Johns. Foi
esta a escolha da DC Comics para tirar do ostracismo um de
seus mais clássicos personagens, o Aquaman!
O DEFENSOR DOS
MARES
Criado por Paul Norris e Mort Weisinger, em 1941, Aquaman fez sua estreia na HQ More
Fun Comics #73
e estabeleceu-se como coadjuvante de algumas histórias de outros
personagens. Depois, nos anos 1950, passou a ser protagonista de um título
próprio, permitindo que muito de seu passado fosse revelado: ele é Arthur
Curry, filho de Tom Curry e da atlante Atlanna.
Nos anos 1960, tornou-se membro fundador da Liga da Justiça da América, participando da maioria das
aventuras do grupo. Na década de 1980, porém, o personagem perdeu muito de sua
força editorial e sempre que a DC tentava lançar um novo título, o mesmo era
rapidamente cancelado por falta de vendas.
Em agosto de 1994, o personagem ganhou um novo título
e uma nova oportunidade pelas mãos do escritor Peter
David (Hulk) e do desenhista Jim
Calafiore (New Excalibur), que apresenta um novo
visual para o herói – com barba, cabelos compridos e, além disso, sem a mão
esquerda, substituida por um arpão. Esta fase foi tão elogiada pelos fãs, que Bruce
Timm (criador das
séries animadas da DC) decidiu usar este visual do herói no desenho da Liga
da Justiça – com
direito a um episódio em que ele perde a mão para salvar o filho.
Mas, como sabemos, o mercado dos comics é duro e, com a saída de David da
série, o personagem voltou a cair. A DC, na tentativa de reintroduzir o
personagem, ainda contratou autores de peso, sendo um deles Kurt Busiek (escritor da ótima série Superman:
Identidade Secreta).
Partindo do conceito de que Arthur Curry estava morto,
Buisek tentou mais uma vez reinventar o personagem em Aquaman:
Sord of Atlantis –
parte do selo 1 Ano Depois, que foi publicado após
a saga Crise Infinita. Era um personagem novo,
mais jovem e que possuía os mesmos poderes do Aquaman original. Mas a série não
obteve o sucesso esperado entre os fãs.
A única exposição que Aquaman teve com o grande público neste
período foram as vinhetas cômicas do canal por assinatura Cartoon Network (que são bem engraçadas por sinal),
sendo lembrado apenas como o cara que fala com peixes e se envolve em situações
inusitadas, o que não era muito positivo para a DC. Afinal, um dos
seus mais clássicos personagens precisava de alguém de peso para que ele
voltasse ao panteão dos grandes heróis e, claro, desse o retorno
financeiro desejado.
O RETORNO DO REI
O Lanterna Negro Aquaman
Podemos dizer que o primeiro contato de Johns com Aquaman
foi durante a saga A Noite Mais Densa. Nesta saga,
controlados pelo vilão Necron, todos os vilões e heróis
mortos voltam como Lanternas Negros – para ser mais claro: zumbis – com o
objetivo de controlar os espectros emocionais Ira, Compaixão, Força de Vontade,
Avareza, Esperança, Medo e Amor.
Como Aquaman estava morto, ele volta então como um
dos Lanternas Negros a serviço do vilão, arrancando corações para criar novos
zumbis e aumentar a fileira de inimigos. Além disso, com seu poder telepático
sobre a vida marinha, o Lanterna Negro Aquaman conseguia controlar animais mortos.
Acredite, ver tubarões mortos e em decomposição emergirem do mar para devorar
as pessoas sob o fantástico traço de Ivan Reis é de brilhar os olhos.
Com o fim de A Noite Mais Densa, inicia-se O
Dia Mais Claro – que
mostra o que acontece com os heróis e vilões renascidos após o fim da série.
Vários escritores e desenhistas participaram do evento e cada um dos
personagens ficou ao cargo de uma equipe criativa. Johns e Reis seguiram com a
responsabilidade de criar o arco do herói atlante.
O Dia Mais Claro foi um evento de altos e baixos, mas
o arco de histórias do Arthur Curry era de longe o melhor de todos. E então,
vieram os Novos 52.
Já falamos sobre o reboot da
DC para seus heróis aqui e aqui,
e, aproveitando a numeração zerada dos títulos, a editora aproveitou o evento
para que Aquaman voltasse a estrelar o seu com a
certeza de retorno investindo no time que mais explodia nas vendas formado,
óbvio, pela dupla dinâmica Geoff Johns e Ivan Reis (é sério, esses caras
são uma mina de ouro!).
Johns ficou no título por 2 anos e foi o suficiente
para criar uma mitologia coesa para o personagem, além de acrescentar novos
personagens e revelações sobre o passado de Arthur. Ao final desta fase, sob o
comando do escritor, Aquaman volta a ser o Rei da Atlântida,
descobre que o reino submarino já foi dividido em 7 reinos e suas dúvidas e
preocupações tornam-no tão humano quanto eu e você.
Podemos dividir a fase de Johns em 4 arcos:
1º A TRINCHEIRA
Neste arco inicial, Johns começa a história brincando
com o conceito atual do personagem para o público em geral (aquele do cara que
só sabe falar com os peixes, lembra?) para depois partir para uma ameaça séria,
quando uma trincheira submarina se rompe, liberando perigosas criaturas que
seguem para a superfície em busca de alimento – neste caso, humanos. Reis faz
um ótimo trabalho ao mostrar como esta ameaça é preocupante com seus
painéis escuros misturados com o brilho azulado da pele das criaturas.
2º OS OUTROS
Johns passa a revelar mais do passado de Aquaman,
sua relação com seu pai, com o Dr. Shin – um cientista que era amigo
do pai de Arthur, mas que no fim, ao descobrir os poderes do garoto e suas
origens atlantes, passa a usá-lo com interesses escusos, visando
ganhar fama – e com um grupo de personagens chamados Os Outros – uma equipe de anti-heróis formada
por Arthur no passado, enquanto ele buscava vingança pela morte do pai
pelas mãos de seu maior inimigo: o Manta Negra.
Enquanto isso, no presente, Manta persegue e mata os membros
remanescentes da equipe para roubar os artefatos atlantes.
3º O TRONO DE ATLANTIS
Atlantis ataca!!!
Em seu primeiro crossover com outro grande título da DC – Liga
da Justiça, que também é escrito por Johns –, Arthur precisa
escolher entre Atlantis e o mundo da superfície, enquanto, liderados por seu
meio irmão Orm, os atlantes atacam Metropolis, Gotham e Boston, matando
milhares de seres humanos com um gigantesco tsunami.
4º A MORTE DE UM REI
Após os desdobramentos da saga o Trono
de Atlantis, Arthur luta para ganhar a confiança do povo aquático e
da superfície, buscando a convivência pacífica entre os povos. Mas uma ameaça
de um passado distante ressurge para relevar uma verdade horrível que pode ameaçar
a confiança de Aquaman perante seu povo e todos que ele
ama.
Em 2 anos e 4 fantásticos arcos, Johns conseguiu criar e
fechar um círculo para o personagem, trazendo revelações que se estabelecerão
por anos entre os fãs. Entre as qualidades de Johns, a que mais se destaca é o
seu respeito pelo personagem. Cabe agora ao escritor Jeff
Parker (Batman ’66) escolher um caminho que honre
o que Johns até aqui realizou – e, pelo que tenho visto nas críticas das
edições, ele está fazendo isso.
EM TEMPO
Aquaman tem dois grandes projetos que estão
chegando em outras mídias!!!
O primeiro deles é a adaptação do arco Trono
de Atlantis para
animação e, pelo que podemos ver no trailer, teremos outra ótima animação da
DC.
E recentemente, a Warner Bros anunciou o filme solo do personagem
para 2018 – com Jason Momoa (o Kahl Drogo de Game
of Thrones) no papel principal. O personagem também fará uma rápida
participação em Batman v Superman: O Alvorecer da Justiça.
Por Fábio Rodrigues
Fonte: Mundo Blá
Fonte: Mundo Blá
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