Esta é a segunda tentativa da DC
Comics pós Novos 52 de emplacar um título solo do Exterminador. Em 2011, após o
fatídico reboot, o título teve um início morno com o roteirista Kyle Higgins em
seguida houve uma (óbvia) queda brutal na qualidade da publicação no “arco”
escrito e desenhado por Rob Liefeld e quando a HQ do mercenário já estava em
estágio terminal, Justin Jordan teve a ingrata tarefa de “desligar os
aparelhos” daquela já moribunda encarnação de Slade Wilson.
Exterminador 1 tem um argumento muito simples: Uma
missão de múltiplos assassinatos na Rússia, que tem tudo para dar errado para
Slade (afinal, se tudo der certo não tem graça). O autor faz um bom trabalho
apresentando os métodos, motivações e as habilidades do Exterminador nesta
primeira edição. Temos a introdução de um novo vilão que se encaixa bem no tom
violento e brutal da HQ e o elenco de apoio apesar de bem genérico, cumpre seu
papel de mostrar um pouco da personalidade do protagonista. A HQ é recheada
daquelas caixas de texto em primeira pessoa nas quais o protagonista pensa,
filosofa, se justifica e se apresenta para o público. Não tem nada de novo
nesse tipo de formato para HQs solo (principalmente de personagens “durões /
violentos / solitários / estupradores de ursinhos de pelúcia”), mas funciona
para novamente introduzir a figura de Slade Wilson ao público mais jovem e não
familiarizado. Felizmente nesta estreia não há nenhuma referência muito
específica ao volume anterior da HQ do Exterminador e qualquer um pode
começar a ler esta história sem precisar se submeter a consultas a alguma
história prévia.
A arte de Daniel é muito bacana,
apesar de não ter nada que vá explodir sua mente em termos de originalidade.
Há
uma notável evolução na qualidade gráfica deste volume em relação ao anterior.
As cenas de ação são quase que uma constante, todas muito bem feitas e bastante
violentas na verdade. Então espere tiros na cara, cabeças voando, pedaços de
cérebro no chão, dilacerações e muito sangue nessas 20 páginas. Tudo com um
acabamento de primeira e naquele estilo de quadrinho clássico do final da
década de 1990 / início dos anos 2000. Ou seja, prepare-se para ver personagens
musculosos no pico de sua forma física, muitas caras de “mijararam na minha escova
de dentes” e mulheres gostosas com aquela expressão de “você nunca vai me
comer”. Enfim, coisas que ainda tem seu lugar ao sol no mercado editorial
atual.
Exterminador 1 não tem nada de sensacional, então
talvez você não se interesse em ler isso aqui a não ser que goste muito do
personagem ou que ela seja publicada em algum mix de títulos que você esteja
interessado. A abordagem de Tony Daniel para o personagem é bacana e a arte é
muito boa (apesar de ser bem manjada), mas este título não acrescenta quase
nada à mitologia do Exterminador. Novamente, não se trata de uma HQ ruim, a
violência excessiva e a brutalidade exacerbada são até fatores interessantes,
mas o título também não é algo que mereça destaque entre os lançamentos de 2014.
Por Igor Tavares
Fonte: Proibido Ler
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