Infinito foi
a saga em seis partes escrita por Jonathan Hickman lançada pela Marvel em
Agosto de 2013 na mini-série Infinity que
teve interligações principalmente com os títulos Avengers e New Avengers do próprio Hickman,
além de (perdoem o trocadilho) uma infinidade de tie-ins com outras
publicações, como é de costume na editora.
O argumento de Jonathan Hickman em Infinito é uma continuação de seu trabalho no título principal dos
Vingadores e em Novos Vingadores. O autor consegue estruturar bem
a narrativa para que a alternância entre os dois núcleos de personagens seja
suave e o ritmo de leitura (na mini-série) se mantenha constante e
interessante. Tanto os Construtores, quanto o time de criminosos liderados por
Thanos (Chamado Cull Obsidian)
são retratados como ameaças magnânimas e suas motivações são razoavelmente
fundamentadas. O conceito de Infinito é
bem definido, seu escopo é digno do elenco que estrela a mini-série e as as
batalhas que vemos aqui são nada menos que épicas (como devem ser). Thor
enfrentado os Construtores, o Capitão América unindo os povos alienígenas, a
presença marcante dos Guardiões da Galáxia na resolução da ameaça, o esforço
para combater Thanos na Terra e a fatídica decisão de Raio-Negro. Tudo isso é
destaque na saga. No entanto existe sim um problema em Infinito.
O
principal problema da saga no entanto é o tratamento dado ao elenco. Apesar do
escopo imenso, de um conceito razoavelmente original e dos vilões carismáticos,
falta personalidade aos protagonistas da saga. Raros são os momentos em que
você consegue ler algum diálogo que soe humano ou que tenha algum humor ou
algum traço que reflita a personalidade dos participantes deste elenco. O foco
na trama e nos eventos épicos é tão constante que os heróis acabam meio que
ofuscados pela imensidão da guerra na qual estão lutando. Tudo isso acaba
deixando Infinito muito
impessoal e a história poderia ser estrelada por qualquer elenco super-heróico
independentemente e funcionaria da mesma maneira. Além disso, tirando os Inumanos,
as consequências de Infinito tem
pouca relevância, deixando muito de seu elenco praticamente no mesmo ponto onde
estavam no início da saga. A resolução da ameaça de Thanos é simplória e ficam
sim algumas pontas soltas que futuramente terão de ser revisitadas pelo autor
(na verdade, já estão sendo atualmente lá fora).
A
arte na mini-série principal é uma colaboração entre Jim Cheung, Jerome Opena e
Dustin Weaver e com isso você felizmente não precisa se preocupar. A divisão
entre os artistas é bem feita e o traço dos dois (são sempre dois artistas por
edição), apesar de não ser muito parecidos entre si, tem consistência sim. Em
todas as edições de Infinito temos
ótimas cenas de batalhas épicas, tanto na Terra quanto no espaço, a
caracterização do elenco é cuidadosa e eficaz, o ritmo dos quadros é muito bom
e as cenas de ação são tudo que você pode esperar de uma saga de verão da
Marvel.
Infinito é uma ótima ideia de Jonathan
Hickman com arte muito caprichada de Jim Cheung, Jerome Opena e Dustin Weaver,
no entanto em um infinito (olha eu de novo) de possibilidades narrativas o
autor escolheu direcionar seus esforços em contar uma história “maior do que a
vida” e esqueceu os personagens um pouco.
Gostaria muito de ter lido diálogos
mais humanos e visto a bela guerra cósmica sob a perspectiva de algum
personagem como o Gavião Arqueiro por exemplo. Temos muitos discursos épicos e
algumas cenas fantásticas, mas o elenco todo me pareceu muito frio em todo o
decorrer da saga e os diálogos bem mecânicos.
Tirando isso, pode-se dizer
que Infinito é uma
saga divertida de ler e que coloca os Inumanos em foco finalmente no Universo
Marvel. Mas é só isso mesmo.
Por Igor Tavares
Fonte: Proibido Ler
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