Desde sua chegada ao título do
Sentinela da Liberdade em 2012 o autor Rick Remender vem plantando as sementes
de novos rumos para Steve Rogers. Sua longa e dramática estadia na Dimensão Z.
Sua relação com Jet Black e Ian. O destino de Sharon Carter. O conflito com o
Prego de Ferro. No entanto, após seu retorno dos tormentos no mundo de Arnim
Zola um dos aspectos mais marcantes no título foi presença de Sam Wilson como
parte integral do elenco de apoio. Tudo isso e outros fatores que não valem o
spoiler nos levam a estreia do novo Capitão América no dia de hoje.
Remender escreve um roteiro bem reto
e não cai em armadilhas. O escritor dá uma leve pincelada no passado de Sam
Wilson, sem dar muito espaço para o melodrama
e usa a quantidade exata de cenas desse tipo para contextualizar sem entediar.
Logo em seguida vemos a hilária situação atual de Steve Rogers enquanto Sam
protagoniza um assalto a uma base genérica da Hydra nos presenteando com cenas
de ação bem diferentes do que se espera de uma HQ do Capitão América. O autor
ainda apresenta o novo Nômade, na figura de Ian Rogers e a relação entre este e
o novo Capitão já começa a ser desenvolvida de forma bem interessante. Os
diálogos são precisos e as vozes dos personagens são cuidadosamente trabalhadas
para se diferenciar entre si. Há uma boa dose de humor na revista, o que é
revigorante tendo em vista o último arco do volume anterior que foi bem sério.
O novo Capitão América obviamente
tem um visual, conjunto de habilidades, estilo de movimentação e combate
completamente diferentes do antigo e é aí que entra a parte mais importante
dessa estreia: a arte de Stuart Immonen e Wade Von Grawbadger. A dupla de
artistas já consagrada no mercado (Grawbadger [eu adoro escrever esse
sobrenome] recentemente recebeu um Harvey por melhor finalização em seu
trabalho nos X-Men) nos presenteia com uma das estreias mais explosivas do ano
em termos de arte. A caracterização do Sentinela da Liberdade e de todo o
elenco da revista é soberba pra dizer o mínimo. Impossível não admirar as splash pages desenhadas por esses dois sujeitos e
impossível não se empolgar vendo o novo “Capitas” voando e enfiando a porrada
nos jagunços da Hydra acompanhado por seu indefectível mascote, Asa Vermelha
(É!). As asas e o escudo funcionam muito bem visualmente (apesar de na
prática eu achar que deve ser muito confuso conciliar os dois). Os quadros
sobrepostos usados em quase que todas as páginas dão o dinamismo que esta nova
encarnação precisa e a verticalização das cenas de ação é a palavra de ordem
aqui. Os desenhos fazem um ótimo trabalho mostrando que este Capitão ainda tem
muito a aprender e que não luta com a mesma graça ou desenvoltura física de seu
predecessor. Isso é um aspecto muito importante desta edição e reforça os laços
entre Sam Wilson e Ian Rogers.
Avaliando friamente, o roteiro de Capitão
América #1 é
óbvio, previsível e não tem diferença alguma entre o primeiro ato de qualquer
filme ou HQ de ação que você já leu. É aquela receita de bolo: Está lá a
apresentação do elenco mostrando a motivação dos personagens, seus dilemas e o
que eles tem a oferecer a história em termos de bagagem. Está lá a apresentação
de uma nova ameaça (velha no caso) e dos antagonistas que impedirão este elenco
de alcançar seus objetivos. E está lá o cliffhanger final mostrando que o buraco é muito
mais embaixo. Portanto, se você está esperando algo muito original em termos de
roteiro esta não é uma boa pedida. No entanto, no feijão com arroz que se
propõe, Rick Remender entrega uma bela de uma feijoada:
Temos uma edição de
estreia extremamente consistente. Temos um roteiro que dá um background muito
bonito e muito digno para seu protagonista ao mesmo tempo que não entedia o
leitor com muita ladainha. Temos cenas de ação especificamente escritas para os
personagens aqui retratados, mostrando um Capitão América que atua de forma bem
diferente de seu antecessor no campo de batalha. Temos a introdução de vilões
clássicos do protagonista, o que sempre agrada os fãs. E temos um elenco de
apoio totalmente diferente do que normalmente se vê neste título. O roteirista
brinca com inversão de papéis a todo o momento aqui e até o que já está
invertido em outra cena se reverte novamente (só lendo pra entender mesmo essa
explicação tosca). A equipe de arte por sua vez faz um trabalho primoroso nesta
primeira edição e apesar de perdermos a figura canônica de Steve Rogers,
ganhamos um Capitão com uma presença visual marcante, diferente e inesquecível
daqui para frente. Então, o saldo em Capitão América #1 vai depender da sua disposição
em apreciar este novo rumo para o personagem. Se você torceu o nariz para a
mudança, este roteiro talvez não seja suficiente para te fazer embarcar no
título. Agora se você acha que a elevação do status de Sam Wilson de sidekick para protagonista principal foi
uma ideia bacana vai se divertir bastante lendo esta estreia.
Por Igor Tavares
Fonte: Proibido Ler
Fonte: Proibido Ler
0 Comentários