Saiba um pouco mais sobre uma série
de histórias que mudou a indústria dos quadrinhos para sempre. Ainda que nem
sempre seja creditada por isso.

- PASSADO.. : Como
o nome já diz, Camelot 3000 lida com os personagens de Rei Arthur e a
Távola Redonda. Lá estão nossos cavaleiros reluzentes, lutando ao lado do
Mago Merlin contra a sensual e irascível Morgana.
- … E FUTURO: E
como o resto do nome diz, a saga se passa no ano 3000. Carros voadores,
ciborgues e alienígenas estão na ordem do dia. Estes últimos se aliam à
Morgana para conquistar a Terra, que se vê indefesa contra as forças
invasora. O que eles não contavam era com a…
- REENCARNAÇÃO: dos nossos poderosos heróis
arturianos. Após a descoberta do túmulo do Rei Arthur por um jovem
descuidado, um a um, os cavaleiros da Távola Redonda vão sendo despertados
em seus corpos do ano 3000. Que Chico Xavier o quê? Nós temos Merlin. Um
Merlin desenhado por alguém muito próximo de outro mago, só que
Northampton…
- BRIAN BOLLAND: Um dos maiores desenhistas da DC Comics, quiçá um dos melhores do mundo, é o responsável pela arte de Camelot 3000. Em um dos seus primeiros trabalhos para a editora das lendas, Brian cria todo um cenário híbrido de magia e ciência, de alienígenas e futuro, bem ao gosto da publicação de onde começou: a revista inglesa 2000 A.D..
- MIKE W. BARR: Sabe o Damian? Então, sem
esse cara aqui, ele não existiria. Mike W. Barr foi o escritor responsável
pela A Morte do Demônio, uma das graphic novels mais cultuadas do Batman.
A obra dava pistas de que Thalia Al Ghul teve um filho com Bruce Wayne. Em
Camelot 3000, a principal obra de Barr, ele vai à fundo na pesquisa e
busca os primórdios das lendas de Arthur, Lancelot e Guinevere, como
atesta a sua introdução para a edição brasileira publicada pela Panini
Books em 2010. Nela, ele registra que tudo é baseado nas escrituras de Sir
Thomas Mallory. Para que todos esses personagens coubessem numa história
fechada, foi preciso mexer no…
- FORMATO: Você
já deve ter cansado de ouvir por aí Maxissérie, né? Watchmen, por exemplo,
é uma maxissérie. Então se você curtiu a história do Rorschach, deve
agradecer à Camelot 3000, que foi a primeira maxissérie. Diferentemente
das revistas de linha, Barr já havia planejado que a história duraria
exatas 12 edições. Assim como Watchmen.
- MERCADO DIRETO: O
ano era 1982, e a maneira de vender revistas na América Yankee estava
mudando. Em 1980, a Marvel havia testado a venda da revista da Cristal
através do Mercado Direto (aquele das solicitations, em que se encomenda a
revista primeiro e depois se imprime). A revista da Cristal vendeu
incríveis 400 mil cópias e a Marvel descobriu uma nova maneira de trazer
suas revistas menos vendidas para um público antigo e fiel. Então, a DC
viu essa oportunidade surgir e escolheu o Mercado Direto para fugir do…
- COMICS CODE AUTHORITY: O
temido e assustador Código dos Quadrinhos, que proibia qualquer menção a
sexo ou corpos putrefatos. Pobre Robert Kirkman se seu Walking Dead
existisse naquela época! Nunca veria a luz do dia! Porém, através do
mercado direto, era possível controlar para quem uma HQ era vendida.
Lembrem-se, estavam apenas começando as comic shops. Assim, Camelot 3000
pôde fugir do CCA, para mostrar sexo e discutir uma escandalosa (para os
padrões da época)…
- SEXUALIDADE: O
maior plot twist da maxissérie não era que Morgana era um ET, ou que
Guinevere também transava com Lancelot (ou que dividia a cama com ele e
Arthur, como em As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley). Não!
Camelot 3000 incorporava outra história da cavalaria: Tristão e Isolda. Só
que com toda essa história de reencarnação, enquanto Galahad se torna um
samurai e Percival se torna um monstro, o cavaleiro Tristão reencarna como
mulher. Uma mulher apaixonada por Isolda. Camelot 3000 foi pioneira na
discussão de identidade de gênero e sexualidade. Barr mostrou a luta de
Tristão e Isolda para se aceitarem e declararem e consumarem seu amor.
Coisa que não foi muito bem aceita no…
- BRASIL: O país dos preconceitos
velados velou também a cena de sexo entre Tristão e Isolda, que (não) saiu
primeiro nas revistas Superamigos e Batman (1984 e 1985), pela editora
Abril. Mais tarde, em 1988, a editora republicou a maxissérie numa
minissérie em 4 edições, na íntegra. Em 2005 foi a vez da Mythos trazer a
história em uma edição pra lá de capenga em que a capa caía e as folhas se
descolavam. Por fim, a Panini deu uma acabamento de luxo para a obra, em
papel couché e capa dura.
Camelot
3000, por todos esses motivos, é item essencial de colecionadores que querem saber
mais da História dos Quadrinhos e também da História da Literatura, e também da
História da Inglaterra, e também da História do Futuro. Pera…
Por Guilherme Smee
Fonte: Splash Pages
Fonte: Splash Pages
2 Comentários
Pena que a Panini não republica este material e ainda da mais valor a encadernados mixurucas. Pena que a conexão editora e leitores não exista. Os pedidos dos leitores parecem não ter efeito algum.
ResponderExcluirRealmente, é uma pena mesmo.
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