Anos atrás, após a reformulação do Universo DC provocada
pelo evento “Crise nas Infinitas Terras”,
aquilo que os leitores estavam acostumados como sendo a continuidade oficial
foi drasticamente alterada. A origem do Superman foi recontada por John
Byrne, começando praticamente do zero. Essa nova versão alterava importantes
elementos da origem do herói e toda a sua mitologia. Dentre todas essas
mudanças, as mais marcantes foram:
- Clark Kent só desenvolveu seus poderes quando adulto. Ou seja, ele
nunca foi Superboy.
- Kal-el foi o único
sobrevivente da extinção do planeta Krypton. Ou seja, sua prima Kara não
viveria para se tornar a Supergirl. Isso valia para o supercão Krypto também.


Para resolver esse
paradoxo, o próprio Byrne arregaçou as mangas e contou outra história, onde
narrava que graças a manipulação do vilão conhecido como Senhor do Tempo, foi criado uma espécie de “Universo Compacto”, separado da
nossa realidade. Nesse universo compacto, o jovem sobrevivente de Krypton
se tornou Superboy, e sempre que a Legião voltava no tempo para encontrá-lo,
era nesse universo que eles caíam, também graças a manipulação do vilão.
Foi esse Superboy que integrou a Legião em viagens temporais, e foi que
morreu após um esforço hercúleo ao transportar seus amigos pelo tempo sem a
manipulação do Senhor do Tempo (ele tinha esse poder, entre outros que o
Superman não possuía) e depois se colocou como condutor de uma energia
estrondosa em uma máquina criada por Brainiac V para evitar a destruição do
Universo Compacto. O esforço foi demais mesmo para ele, que tombou para salvar
seus amigos.

Anos
depois, a Terra desse mesmo Universo Compacto teria um triste fim: os
criminosos de Krypton seriam libertados por Lex Luthor e dominada por eles sem
interferências. O Superboy estava morto e todos os outros heróis só existiam em
suas versões civis, nessa Terra ninguém jamais chegou a se tornar um herói.
Sentindo-se
culpado, Luthor usou seu conhecimento científico e tornou a Lana Lang
dessa Terra uma Supergirl, transformando-a numa matriz de protomatéria. Apesar
de poderosa, ela não era páreo para o General Zod e seus asseclas. Luthor sabia
da existência do Superman, pois ele havia se encontrado com o Superboy anos
antes. Então ela foi enviada para a outra Terra a fim de recrutar o Homem de
Aço para ajudá-la. Essa história também teve grande peso para o
personagem, pois após ser incapaz de impedir a devastação da Terra do Universo
Compacto, ele acredita não ter outra escolha a não ser matar seus inimigos a
fim de que eles não o seguissem para sua Terra e fizessem o mesmo por lá. Ao
fim da aventura ele leva a Matriz, já bem debilitada pela batalha, de volta com
ele. Quando se recupera, ela passa a agir como Supergirl em seu novo lar.

É
incrível como essas histórias são clássicas, marcantes, divertidíssimas… e
cheias de furos no roteiro. Acho que o Byrne soube nos enganar tão bem, que
conseguiu nos convencer de tudo o que ele queria. Pra começar, se o Superboy
era de outro universo, como a Legião sabia de sua existência? A explicação: os
registros históricos ficaram confusos com o passar dos séculos e essas
aventuras do Superboy que deveriam ser apenas ficção chegaram a eles como sendo
verídicas. Ok, ponto. Já está explicado. Nem precisava criar um Universo
Compacto então. Mas que graça teria?
Sobre o assassinato dos criminosos
Kryptonianos, (Saiba mais aqui) vale ressaltar que o
Superman os havia exposto a Kryptonita Dourada, aquela que segundo dizem,
retira DEFINITIVAMENTE os poderes de um kryptoniano. Ou seja, havia outra forma
de tentar resolver a situação. Sim, entendo que havia muito em jogo… ele preferiu
não arriscar e os executou com kryptonita verde. Também entendo que em casos
estremos, não reste outra escolha senão matar um adversário para preservar um
bem maior. Mas nesse caso… havia outra forma… não havia?
Outra
coisa que nunca ficou muito clara foi como o Luthor da Terra do Universo
Compacto conseguiu enviar sua Supergirl para a outra Terra; como ela levou o
Superman para lá e como eles saíram no final. Eles simplesmente levantaram vôo…
e chegaram em outra Terra …
em outro universo…
Enfim,
apesar desses detalhes nunca devidamente explicados (e outros que prefiro nem
comentar), essas histórias estão para sempre gravadas para mim como uma das
grandes fases do Homem de Aço, que independente de novas reformulações e
Crises, sempre vão continuar valendo em algum aspecto da continuidade. O mesmo
vale para a Legião dos Super-Heróis, talvez a equipe que mais tenha passado por
“reboots”, porém depois de um tempo o que temos é sempre os conceitos clássicos
prevalecendo sobre modismos.
Viva o
Multiverso!
Por Rodrigo Garrit
Fonte: O Santuário
4 Comentários
O Senhor do Tempo é meio burro,né?Tem aquele lance dele pensar além da capacidade humana mas isso é desculpinha.Ele é um idiota para ajudar seus maiores inimigos desse jeito.Enfim,a história é interessante.
ResponderExcluirPS:E essa capa que o Super copiou do quarteto ai?
Pois é, tudo pelo "bem" ou "mal" da cronologia..rs.
ExcluirPena que histórias como essa não ganham uma republicação decente. Aliás essa fase Byrne seria cofre certo para muitos leitores. Mas infelizmente...
ResponderExcluirEstou 100% contigo! E não só eu, mas muitos.
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