Com esta edição do Quarteto Fantástico, a coleção inicia sua segunda metade, e até aqui, poucos leitores devem reclamar da seleção de histórias, já que tivemos muitas histórias de primeira, daquelas que fazem a gente se remexer no sofá (ou banco, cadeira, cama, gramado...) de empolgação pela leitura ou releitura. E ainda há o habitual material adicional ao final de cada edição, para situar o leitor e contar um pouco sobre os autores e o processo de criação do arco ou saga em questão.
Mas, como sugere o início deste review, nem tudo fica às mil maravilhas. Algumas escolhas para as histórias que compõem a Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel são duvidosas e difíceis de engolir. Não há como não pensar que certas seleções só aconteceram por descuido, por camaradagem ou por puro preciosismo de quem adora aquela história que ninguém mais gosta.
O Quarteto Fantástico foi uma das primeiras equipes da Marvel, quando esta abandonou seu antigo nome, Timely Comics, e passou a usar o atual, com o qual todo mundo está acostumado. Portanto, pela idade do grupo, que sempre esteve na ativa, é de se supor que haja diversas histórias relevantes. E nós sabemos que há. A fase de John Byrne, na década de 1980, é somente um dos exemplos. Sendo assim, fico me perguntando o que motivou a publicação deste arco O Fim. É uma história que se passa numa realidade alternativa, mas isso não é problema, já que muitos clássicos surgiram a partir desta premissa. O problema é que ela não faz jus às aventuras vividas pelo Quarteto, com um roteiro fraco, entediante e que reúne dezenas e dezenas de personagens apenas para fazer volume. Ou seja, é um roteiro que não se sustenta sozinho.
Alan Davis é um mestre, sem dúvida. Porém, até ele não estava em seus melhores dias quando da criação deste arco. Muitas cenas ficaram incômodas, com elementos excessivos, composição confusa e cores exageradas. Chega a lembrar algumas coisas da Image dos anos 1990, e isso nem de longe pode ser entendido como elogio.
Após o grande confronto final com o Dr. Destino, os filhos de Reed e Sue Richards são mortos, o que leva à dissolução do Quarteto Fantástico. Após uma guerra envolvendo diversos planetas, e um subsequente tratado de paz, cada um dos quatro membros vai para um canto, e a relação deles praticamente acaba. Porém, Sue acredita que seus filhos podem estar vivos, e começa uma verdadeira peregrinação para tentar trazê-los de volta.
Um enredo simples mergulhado em artifícios de segunda categoria para prender o leitor. Não mais do que isso.
Quarteto Fantástico - O Fim (Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel Vol. 48) - 160 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 32,90 - lançado em outubro de 2014 – Editora Salvat do Brasil (coleção prevista para ter 60 volumes).
Fonte: HQ Maniacs