Cassandra Cain não sabia ler, não sabia escrever e não sabia falar, na
verdade, Cassandra só foi ensinada a se comunicar de uma única maneira: por
meio da violência. Ao se negar a terminar um assassinato pelo qual
foi encarregada, nossa protagonista se vê sozinha em um mundo que ela mal
conhece. Deslocada de todos e sem nenhuma conexão real com adolescentes da sua
idade, Cassandra encontra refúgio em um lugar silencioso como ela e que lhe
dará o espaço necessário para encontrar um novo rumo, a Biblioteca Pública de
Gotham City; e é assim que essa jornada de se inicia.
As origens da
personagem que fazem ou um dia já fizeram parte do cânone da editora são sempre
atreladas a arcos extensos e até mesmo complexos como Terra de Ninguém–
na era pré Ponto de Ignição- e Batman e Robin Eternos– em Novos
52- já aqui, a jornada criada por Sarah Kuhn para a Cass,
é delicada, sensível e de fácil
entendimento, o que torna a história indicada não só para jovens leitores,
mas também para qualquer um que busca conhecer melhor (ou pela primeira vez)
tanto da Cassandra como da figura da Batgirl.
Mesmo
falando quase nada no início e pouco durante o resto da história, Cass é
carismática e cativante e o quadrinho consegue nos fazer sentir na pele tudo
pelo que ela está passando, desde seus sentimentos conflituosos e problemas com
o pai até sua dificuldade em expressar coisas novas como amor e compaixão.
Apesar de termos bons embates, eles não são o
destaque aqui, pois o maior de todos está dentro da própria protagonista: uma voz em sua cabeça colocada lá por pessoas do seu passado que continua lhe dizendo coisas que ela supostamente nunca
vai conseguir ser ou conquistar.
Mas se
engana quem pensou que Cassandra passa por essa nova fase sozinha, a história
nos apresenta coadjuvantes tão carismáticos quanto a protagonista, começando
por Jackie, uma senhora dona de um restaurante asiático que prontamente
ajuda Cass com seu jeitinho especial nos momentos em que ela mais precisa de
amor e cuidado. A adição de uma mentora
asiática a jornada da Ratinha miúda
(apelido carinhoso de Jackie para Cassandra) é muito bem vinda, colocando em
sua vida alguém que de certa forma a entende e que a faz se sentir em casa.
Também somos apresentados a uma velha conhecida do manto da Batgirl, Barbara Gordon, que aqui é a mesma personagem que seus fãs já conhecem e amam, a entusiasmada jovem cheia de ideias que está sempre pronta para ajudar quem precisa. Barbara, assim como Cass, também está passando por um processo de auto conhecimento, e logo que conhece a solitária garota morando na biblioteca de Gotham, elas criam um forte vínculo que fará com que elas passem juntas por essa fase de suas vidas.
É lindo acompanhar Cassandra encontrar o amor e uma
família pela primeira vez na vida e ver como isso a transforma, ou melhor, a liberta, a permitindo ser ela mesma. A Batgirl tem um papel fundamental nessa jornada, pois ela se tornou um
símbolo de esperança pra Cass em seu momento de maior fragilidade, então,
quando não precisa mais ser salva, Cass Cain se inspira em sua heroína para
poder ajudar quem agora precisa e fazer com que outras pessoas se sintam acolhidas pelo símbolo
que um dia a acolheu.
Confira uma prévia da capa da edição:
A arte do quadrinho é um espetáculo a parte, com traços
delicados e cores de encher os olhos, a quadrinista Nicole Goux e a colorista Cris Peter criam um mundo belíssimo que combina tão bem com o roteiro e com a personagem que se torna
impossível imaginar a jornada de auto descoberta de Cassandra de outra maneira.
A arte da totalmente o tom que essa história pede e nos ambienta muito bem nos sentimentos dos
personagens. Vale destacar também a atenção aos pequenos detalhes como a Biblioteca Pública de Gotham possuir um elevador
para que pessoas com a mobilidade reduzida possam acessar todos os andares,
detalhe que enriquece ainda mais a trama por possuir uma das personagens principais
cadeirante e funcionária desse mesmo local.
Fonte: Terraverso
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