Para aqueles que não
têm nenhuma tese de mestrado sobre o Universo
Marvel, pode ser surpreendente o que vou dizer agora: os Guardiões da Galáxia, que
estrelarão o filme que estreia dia 31 nos cinemas, NÃO SÃO a primeira equipe a usar este nome.
Talvez mais surpreendente ainda seja o que direi a seguir: ESTES Guardiões
atuais inspiraram-se e tomaram emprestado o nome de uma equipe de heróis que veio do futuro!
A equipe atual,
que foi adaptada para o cinema, e possui uma série mensal escrita por Brian Michael Bendis (cujas primeiras edições eu resenhei aqui),
foi inspirada por um dos membros destes Guardiões do futuro que, sob
circunstâncias que não nos interessam aqui, voltou no tempo e ficou preso no
passado (nosso presente).
Com
todos os holofotes voltados para os Guardiões da Galáxia, graças à
aguardada adaptação para os cinemas, a Marvel resolveu também dar uma nova
chance para os antigos/futuros (?!) Guardiões, que em outubro estrelarão a
série Guardians 3000. O título
será escrito pela dupla Dan Abnett e Andy Lanning,
ninguém menos que os criadores da versão atual da equipe, fato que por si só
parece uma daquelas ironias do destino que tanto encontramos em obras de
ficção. Com desenhos de Gerardo Sandoval, Guardians 3000 dará continuidade às aventuras dos
Guardiões originais, que prometem atualizar os personagens, oferecer
vislumbres do futuro do Universo Marvel, viagens no tempo, e encontros com
os Vingadores e, é claro, com a versão atual dos
Guardiões da Galáxia.
Em entrevista
ao site CBR, Abnett prometeu
introduzir extrapolações do Universo Marvel atual no que diz respeito ao
futuro dele no século 30, que tornará divertida a leitura da série a quem
conhece um pouco do passado da Marvel, pois haverá várias referências a ele.
O autor também
reforçou a possibilidade de vermos os Guardiões 3000 se encontrarem com heróis
do presente, algo que será coordenado, possivelmente, com Bendis. Portanto,
podemos esperar crossovers entre as séries das duas versões dos Guardiões da
Galáxia.
Abnett também
falou um pouco sobre cada um dos heróis da equipe original:
Charlie-27 e Martinex passaram por uma transformação que
os permite viver em outros mundos do sistema solar. [...] Vance é obviamente um
homem fora de seu tempo porque hibernou por 1000 anos. Starhawk é um ser
místico, e Yondu é de Centauri. Tecnicamente falando, ele é um alien.
Eles todos são interessantes.
Acho que eles são super-poderosos mas não super-heroicos em alguns aspectos.
Eles são mais personagens de ficção científica, e preciso encontrar formas de
adequá-los ao contexto do que esperamos dos super-heróis atuais.
Abnett também
disse que leu comentários na internet que falavam da ausência de integrantes
femininas na equipe original, e que ele irá corrigir isto, seja criando novos
membros para o grupo, ou cercando-o com coadjuvantes femininas, que ele promete
que serão personagens fortes, que equilibrarão o elenco, e tornarão a série
relevante para os dias atuais.
Outro
ponto que receberá cuidadosa atenção da dupla criativa será a relação do título
com a continuidade, que será respeitada, mas não a ponto de impedir que novos
leitores acompanhem a série. A dupla usou uma abordagem semelhante quando
criaram a equipe atual de Guardiões da Galáxia, relacionando-a com a versão do
futuro, mas sem tornar suas histórias dependentes de um conhecimento das
histórias anteriores. Basicamente equilibrarão as duas coisas: respeito à
continuidade e apelo a novos leitores.
Na série os
Guardiões 3000 serão retratados como combatentes da liberdade,
e enfrentarão aliens opressores que conquistaram não apenas a Terra, mas
toda a união de planetas da qual a versão futura de nosso mundo faz parte.
Apesar de a
ameaça principal e mais aparente ser a raça alienígena Badoon (que também já
deu trabalho para os Guardiões da Galáxia atuais), Abnett disse que eles são
apenas a ponta do iceberg. O autor disse que os Badoons serão um sintoma de
algo mais profundo, sombrio e metafísico, que estará por trás da trama maior da
série, que abordará mistérios do espaço e do tempo.
Sobre o
envolvido do grupo com viagens
no tempo, Abnett sugeriu que eles podem estar presos
a uma espécie de loop temporal em que sua guerra contra os Badoons nunca
termina, semelhante ao que ocorre no filme Feitiço do Tempo,
e que pode existir uma causa desconhecida para isto, que envolve a tal força
misteriosa por trás do conflito.
Segundo
Abnett, ele e Lanning usarão uma abordagem que não focará apenas na ação, mas
também em questões diplomáticas, negociações, alianças e rivalidades por trás
do conflito físico. Eles explorarão a estrutura política existente entre as
raças, dando continuidade ao que Bendis já vem fazendo no título dos Guardiões
da Galáxia. Tudo em prol de modernizar a equipe original, tornando-a
condizente e relevante com a forma como estes tipos de personagens são tratados
atualmente pela Marvel.
Abnett
manifestou seu interesse em explorar os medos e ambições das diferentes raças
alienígenas que aparecerão na série, semelhante ao que séries de TV como Babylon 5 e Star
Trek: Deep Space 9 fizeram.
E também em retratar os Guardiões 3000 não apenas como uma equipe de pessoas
corajosas dispostas a fazer o que é certo, mas também a entender os
diversos lados de um conflito antes de participar dele.
Outro conceito
interessante prometido pela dupla é o de mostrar os Guardiões do futuro como
apenas os cabeças de uma força de resistência ainda maior, de apresentá-los
como uma “equipe de propaganda” da causa que defendem, que recruta os que eles
libertaram para seu exército, tornando todos Guardiões da Galáxia, e os
cinco heróis principais parte de um contexto bem maior que eles.
Guardians
3000 começa a sair em outubro lá fora.
Por Rodrigo F. S. Souza
Fonte: Nerd Geek Feelings
Fonte: Nerd Geek Feelings
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